A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 24/08/2020
A principal causa do aumento da prática de linchamento no Brasil é devido à ausência do Estado em exercer a justiça. Infelizmente esse problema é antigo, sendo adotado, por exemplo, por Lampião, ao entrar no mundo do crime para obter justiça pela morte de seu pai, que foi morto por um policial. Porém, o senso de justiça é abstrato e posteriormente o próprio Lampião foi linchado e mutilado.
Em sua pesquisa sobre o assunto, o sociólogo José de Sousa Martins, constatou que a maior parte dos linchamentos ocorre em áreas urbanas, periféricas, com populações adventícias, sem raízes com a localidade. Nessas regiões, o Estado se distancia ainda mais. Partindo do pensamento de Durkheim, o indivíduo precisa se sentir integrado, e a sociedade anômica gera patologias. O momento do linchamento é quando ele sente que faz parte do todo.
Em 2014, a jornalista Rachel Sheherazard, defendeu o linchamento de um jovem amarrado a um poste. Igual Rachel, a mídia jornalística explora constantemente casos de linchamento. Para o sociólogo José de Souza Martins, esse apoio midiático faz com que a população sinta que tem o alvará para praticar o ato sem sentimento de culpa. Sendo assim, é responsabilidade das agências reguladoras de comunicações de jornais e mídias, coibir tais apologias a linchamentos.
Portanto, o Estado precisa executar de forma eficiente seu papel em cumprir a justiça ao invés de deixar a população descoberta. A população que realiza o linchamento não pode ficar impune e a mídia não deve fomentar ações agressivas por parte da população.