A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 31/08/2020

A obra o Ensaio sobre a cegueira de José Saramago, o autor que elucida não apenas a cegueira física humana, mas também a cegueira moral presente numa sociedade insensível às mazelas alheias, ressalta as precárias relações interpessoais. Lamentavelmente, tal perspectiva é lícita quando é notória na contemporaneidade o espancamento e a morte de criminosos pela justiça social, seja pela insuficiência de leis, seja pela lenta mentalidade social.Nesse sentido, é perceptível que a superficialidade nas relações humanas contribui para a justiça com as próprias mãos no Brasil.                            Segundo Zygmunt Bauman a preocupação com a administração da vida parece distanciar o ser humano da reflexão moral. Nesse contexto, é importante salientar que pessoas vítimas da violência social, por considerarem brandas as leis constitucionais que permitiriam ao infrator manter-se nas cadeias agem como justiceiros, amarrando, violentando e matando os criminosos como se fosse correto. Com isso, essa prática animalesca do homem remete aos ensinamentos do Código de Hamurábi: Olho por olho, Dente por dente, em que a intolerância está na civilização.                                   É indubitável o comportamento violento e irracional dos justiceiros fazendo justiça com as mãos, por consequência, de uma mentalidade social descabida por não saberem distinguir justiça de vingança. De acordo com Immanuel Kant, em sua teoria do Imperativo Categórico, os indivíduos deveriam se tratados, não como coisas que possuem valor mas como pessoas que tem dignidade. Apesar dos infratores cometerem erros constitucionais roubando e até mesmo matando o cidadão brasileiro, nada justifica condutas que ferem à moral e à vida pelos justiceiros.                                                                       Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Sendo assim, é preciso que delegacias especializadas investiguem e punem os justiceiros sociais em conjunto com as prefeituras informem e conscientizem à sociedade com palestras e cartazes em escolas e locais públicos de que os direitos humanos devem ser respeitados. Assim, as mazelas sociais explícitas por José Saramago serão gradativamente minimizadas no país.