A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 17/08/2020

De acordo com dados divulgados pelo Correio, foi registrado cerca de 45 casos de linchamentos em 2016. Esses números demonstram que o problema da justiça com as próprias mãos está presente de forma complexa na realidade brasileira. Desta forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge um complicado problema que precisa ser revestido.

Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre justiça com as próprias mãos, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais difícil.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é uma lase educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à justiça com as próprias mãos, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e de prevenir o problema, visto  que não tem trazido esses conteúdos na sala de aula.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceira com a prefeitura promovam, espaços para rodas de conversa e debates sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores, e especialistas no assunto. Além disso, esses eventos devem ser abertos á comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de não fazer justiça com as próprias mãos e se tornem cidadãos atuantes na busca de soluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.