A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 17/08/2020

No poema “morte do leiteiro” Drummond relata um justiçamento cometido por um homem que sentia-se inseguro em sua própria casa, e, ao ouvir ruídos pressupôs o pior, atirando contra um leiteiro. Concomitantemente, a justiça com as próprias mãos segue o mesmo padrão: um cidadão descontente com a segurança de seu país,e por conta de achismos, acaba cometendo um crime. Logo, a insatisfação com o sistema jurídico do Brasil leva alguns a buscarem o que pensam ser justo, mesmo sendo algo fora do parâmetro legal do país.

Sob o ponto de vista do descontentamento em relação à justiça do Brasil, vale ressaltar a demora e a ineficácia tanto do processo de encarceramento, quanto do julgamento. Afinal, 41,5% dos presidiários não tiveram seus julgamentos; e, tendo em vista o  artigo 11 do direitos humanos, o qual afirma que todos são inocentes até a prova do contrário, são presos injustiçados. Além disso, cerca de 10% dos crimes de assassinato tem solução no país. Ou seja, a justiça se mostra falha e lenta, levando a população à buscar soluções por conta própria.

Porém, essa justiça com as próprias mãos ; a qual chega a pelo menos um caso de linchamento por dia no país; acaba ferindo pessoas inocentes, as quais deveriam estar protegidas pelo sistema de segurança nacional. Haja vista o caso de Fabiana Maria de Jesus, que assim como o leiteiro, teve sua vida tirada por conta de um desentendimento. Nesse sentido, é notório como um ação passional pode ser injusta.

Portanto, é necessário uma modificação do sistema judiciário. Para que isso ocorra o poder judiciário deve agilizar o processo de julgamento e aumentar a eficácia das investigações, por meio de cobranças aos funcionários, criando multas àqueles que não trabalharem efetivamente. A fim de tirar da população este descontentamento com a justiça nacional, levando com o tempo ao fim do justiçamento no Brasil.