A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 21/08/2020

Na obra cinematográfica “Uma noite de crime”,no qual por 12 horas qualquer tipo de delito é permitido sem o risco de penalidade,é demonstrado a crueldade e a perversidade da população motivada pela vingança e pelo ódio.Entretanto,a contínua prática da justiça com as próprias mãos-intrinsecamente ligada a sociedade brasileira hodierna-demonstra uma realidade não muito distante da ficção,a qual viola a ordem e a harmonia social.Logo,é indiscutível que a lenta mudança de mentalidade social e a  inobservância governamental são fatores impulsionadores do impasse.

Cabe pontuar,a princípio,que a mente retrógrada da coletividade é uma das problemáticas.Isso porque,consoante a Foucault,é preciso mostrar as pessoas que elas são muito mais livres do que pensam para romper pensamentos errôneos construídos em outro momento histórico.Nessa perspectiva,compreende-se que para uma nação moderna,o ato do justiçamento demonstra um completo regresso para humanidade,o qual era efetuado na antiguidade de maneira irracional e sanguinária.Dessa forma,tendo em vista que tal ação-além de ferir os direitos humanos- contribui para perpetuação da violência e para a banalização do mal, medidas são necessárias para vetar esta prática e a propagação desta ás futuras gerações.

Por outro lado,vale ressaltar que o descaso estatal instiga a execução destes crimes,uma vez que quando o Governo se omite a população se responsabiliza por mediar a situação.Nesse sentido,de acordo com o contratualista Thomas Hobbes,no estado de natureza,o homem é originalmente mau e violento;necessitando portanto,de um Estado interventor que busque o bem comum para os indivíduos.Todavia,quando este Governo não executa efetivamente com o seu papel e não promove a justiça,é como se a sociedade retornar-se ao estado original onde a violência e a desordem tomam o controle-como demonstrado no filme.Desse modo,para que haja o justiçamento seja vetado,é imprescindível que o Poder Público exerça eficazmente com suas obrigações.

Por conseguinte,urge que o Executivo Federal concretize as leis de maneira mais rígida, com uma maior fiscalização nas ruas(principalmente em locais de constantes delitos e com a contratação de novos agentes),acelere a resolução de casos(especialmente os de crimes hediondos) e forneça um amparo psicológico as vítimas(por meio de consultas com psicólogos),a fim de impedir a ocorrência de futuros crimes,inibir o sentimento de vingança e recuperar a confiança da população na justiça do país.Também,é de extrema relevância debater esse assunto nas escolas,as quais abordem a importância de respeitar os direitos humanos e os perigos da justiça com as próprias mãos.Assim,a realidade distanciar-se-a da antiguidade,e a prática dos justiçamento não passará de obra da ficção.