A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 23/08/2020

É notório o crescimento da violência no Brasil atualmente, seja nas favelas, na zona sul de são Paulo, em Belo Horizonte ou no nordeste. Em todo o país há o medo do perigo iminente, medo de não saber se voltará são e salvo para casa no final do dia. Atormentados cidadãos começaram a reagir formando grupos que assumem o papel da policia e da justiça, caçando, julgando e penalizando marginais de acordo com o que pensam ser o certo, e se autodenominam “justiceiros”.

Apesar de tais ações serem compreensíveis, não se deve apoiá-las, pois fazem uso de pura violência e de pensamentos radicais em sua maioria. Um bom exemplo é o adolescente de 15 anos que foi agredido, mutilado, perdendo parte da orelha e preso a um poste com uma trava de bicicleta no bairro do Flamengo, área nobre do Rio de Janeiro, acusado de participar de diversos assaltos na região. Esse ato bárbaro recebeu considerável apoio, o que é preocupante, pois perde-se facilmente o critério do que é condenável, ampliando o alvo dos justiceiros. Hoje o jovem bandido, negro e pobre é perseguido. Amanhã pode ser o homossexual, o manifestante, o não cristão.

De fato, as corporações de segurança são precárias, mal preparadas, e o exemplo de violência desmedida vem da própria policia, cuja função é assegurar o bem-estar e a proteção da população, e não torturar, promover chacinas e abusar do uso da força, como é visto em larga escala no Brasil. Todavia fazer justiça com as próprias mãos torna-se também um crime, por vezes pior do que aquele cometido pela vitima dos justiceiros.

Em Suma, a população ao invés de se organizar para perseguir e agredir assaltantes, deve fiscalizar constantemente e cobrar dos governantes melhorias nas forças de segurança. Como uma policia mais visível, de fácil acesso pela população e com capacidade de resposta imediata e adequada. Por último, cobrar melhorias no sistema carcerário e na justiça. Do contrário, podemos retroceder na condição de Estado livre e democrático para uma situação de barbárie.