A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 23/08/2020
Na animação da Disney “A Bela Adormecida”, a personagem antagonista Malévola é uma fada que acabou seguindo um caminho diferente das demais, em busca de vingança. Fora da ficção, a realidade brasileira não difere da aludida uma vez que devido as falhas na segurança pública, são muitos os cidadãos que trilham rumo à violência, a fim de fazer justiça. Diante disso, acontece o descrédito com o poder judiciário e a sensação de insegurança.
Nesse contexto, atualmente, a sociedade está perdendo a confiança no poder público brasileiro, já que a justiça de mostra ineficaz. Nisso, segundo o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no Estado do Rio de Janeiro, 96% dos inquéritos encerrados foram arquivados, sem que as autoridades descobrissem quem foram os autores dos homicídios. Dessa forma, o poder judiciário perde a credibilidade e faz com que aconteçam ainda mais linchamentos.
Além disso, as falhas na segurança pública e a ineficiência da justiça, faz crescer a sensação de insegurança entre a população. Assim, quando o filósofo Thomas Hobbes ressalta que o homem é mal por natureza e precisa do Estado para estabelecer uma ordem, evidencia-se como a impressão de estar desamparado pelo sistema judiciário, faz com que o desejo de vingança e justiça com as próprias mãos seja intensificado. Portanto, para que os cidadãos parem de ser justiceiros, medidas são necessárias, como o poder judiciário criar um projeto para acelerar os processos de julgamentos, a fim de transmitir mais credibilidade às vítimas e seus familiares. Bem como, a mídia, através das redes sociais, mostrar a população que não cabe a ela “fazer justiça”, com o objetivo de que através da conscientização, crimes de vingança sejam evitados.