A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 19/08/2020

Na obra ‘‘Utopia’’,do escritor inglês Thomas More,é retratado uma sociedade perfeita,qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas.No entanto,o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega,uma vez que a prática da justiça com as próprias mãos no Brasil apresenta barreiras,as quais dificultam a concretização dos planos de More.Esse cenário antagônico é fruto tanto do sistema judiciário,quanto a falhas na segurança pública.Diante disso,torna-se fundamental a discussão desses aspectos,a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente,é preciso refletir sobre o atual cenário do sistema judiciário brasileiro deriva da baixa atuação dos setores governamentais ,no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências.Segundo o pensador Thomas Hobbes,o estado é responsável por garantir o bem-estar da população,entretanto,isso não ocorre no Brasil.Devido à falta de atuação das autoridades,a demora em julgar os casos que lhes são encaminhados tem contribuído para que haja um descréditos por certas parcelas da população.Desse modo,faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais,é imperativo ressaltar tomar decisões precipitadas pode gerar consequências drásticas. Vítima de boatos espalhados nas redes sociais, Fabiane Maria de Jesus, moradora de Guarujá, no litoral paulista, foi acusada de ser uma sequestrada de criança que atuava na região.Conforme o sociólogo alemão Dahrendorf,no livro ‘‘A lei e a ordem’’,a anomia é a condição social em que as normas reguladores do comportamento das pessoas perdem sua validade.

Fica claro, portanto, que assumir a função que cabe aos órgãos competentes não é o caminho viável. É indispensável que a população fiscalize e reivindique dos governantes melhorias na área da segurança pública e no sistema judiciário. Acresce às medidas a necessidade dos usuários das redes sociais certificarem as informações são compartilhadas. evitando, assim, os linchamentos. É inadmissível que a sociedade retroceda e considere como normais as barbáries que são cometidas por aqueles que procuram agir conforme as suas próprias leis.