A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 27/08/2020

No decorrer da série ‘‘Dexter’’, o público acompanha a história de um perito criminal que, nas horas vags, assassina os principais criminosos da região. Entretanto, apesar de serem apenas simulações, o desejo pela punição move muitos indivíduos em direção à violência. Assim, a problemática que engloba a prática da justiça com as próprias mãos é recorrente no Brasil, uma vez que o governo inoperante não cumpre as expectativas em relação à jurisdição e a nação perpetua seu posicionamento agressivo.

Inicialmente, é primordial ressaltar que a realidade caótica do sistema judiciário, no que tange à inconclusão de inúmeros casos, contribui diretamente com o crescimento do número de civis que desejam solucioná-los por conta própria e de forma violenta. Por conseguinte, essa negligência estatal associada a agressão transcende a ficção, como é observada no filme ‘‘Uma Noite de Crime’’, cujo enredo retrata um cenário crítico durante um período sem intervenções estatais, semelhante ao brasileiro. Dessa forma, como consequências da inação citada vislumbra-se a violência extrema nos ciclos sociais, o aumento do números de crimes devido à burocracia relacionada às penalidades e a incapacidade de um processo de ressocialização ser efetivo.

Ademais, é de conhecimento geral que, desde o Brasil Colônia, o país vive um patriarcado repleto de agressividade, que perpetua-se devido às atitudes da população perante a situações cotidianas. Sendo assim, conforme o sociólogo Auguste Comte, seria essencial ‘‘ver para prever, a fim de prover’’, ou seja, para que a sociedade sofra as mudanças necessárias para um melhor convívio, uma análise sobre a estrutura violenta e suas consequências para o todo. Desse modo, caso a nação seguisse a proposta comtiana, seria possível observar um cenário menos conturbado e maiores oportunidades de ter-se uma vida estável.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, a questão acerca da prática da justiça com as próprias mãos deve ser resolvida com urgência. Para que isso ocorra, a Secretaria Especial de Comunicação Social deve transmitir, por meio da criação de propagandas educativas veiculadas por folhetos chamativos e dinâmicos, a mensagem da importância da quebra do papel da violência como solução ou forma de justiça, destacando suas consequências. Dessa maneira, a sociedade, anteriormente alienada, terá conhecimento sobre o tema e, de forma conjunta com o governo, agirão corretamente em busca do equilíbrio.