A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Na série “Arrow”, Oliver é um justiceiro que deseja a qualquer custo combater os crimes da cidade com suas próprias mãos, no entanto o faz por meio ilegais, se tornando, contraditoriamente, um criminoso. Nesse contexto, a chamada “justiça com as próprias mão é, infelizmente, muito praticada no Brasil, e se deve, sobretudo, à precariedade dos sistema investigativo e judiciário brasileiro e à princípios de violência enraizados na sociedade.
Em primeiro lugar, a solução de crimes e a punição de seus respectivos agentes não é feita em sua totalidade no Brasil por se tratarem de muitos. Segundo anuário publicado pelo Instituto de Política Econômica aplicada (IPEA), no Brasil, a taxa de homicídio por habitante supera em 30 vezes a do continente europeu, o que torna a resolução de muitos deles demoradas, incompletas, ou até ausentes em alguns casos. Em situações como essa, vítimas do crime e pessoas próximas a ela sentem-se injustiçadas, de tal forma que procuram justiça a seu modo.
Outrossim, os indivíduos componentes de uma sociedade carregam consigo sentimentos de vingança característicos do ser humano. O sociólogo americano Edward Ross, especialista em criminologia, afirma que o ser humano herda quatro instintos: simpatia, sociabilidade, senso de justiça e ressentimentos à maus tratos. Estes, foram construídos juntamente com a sociedade, num cenário de cooperação entre indivíduos e de proteção contra aquilo que lhe é estranho. Portanto, quando há uma relação mútua entre dois indivíduos, um tende a proteger e demonstrar altruísmo um pelo outro, fenômeno traduzido em vingança quando um amigo próximo ou si mesmo é injustiçado.
Finalmente, são necessárias medidas que freiem essa violência popularmente rotulada como “justiça com as próprias mãos”. Dessa forma, é necessário que o Estado em parceria com as instituições de ensino brasileiras, por meio de verbas governamentais, desenvolvam palestras que alertem os perigos e consequências de se praticar justiça com as próprias mãos: penalidades que afetarão a vida pessoal e profissional daquele que a praticou, bem como o próprio aumento da criminalidade, visto que tal “justiça”, é apenas mais uma forma de fomentar o crime. Ademais, a criação de campanhas que ofereçam auxílio psicológico à vitimas dos crimes, que em muitos casos foram mentalmente afetadas. Só assim, será possível uma sociedade que busque combater a criminalidade da forma certa e que lute pelo bem estar de seus cidadãos.