A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 25/08/2020
Na série “Vikings”, o personagem “Floki”, ao descobrir um território desconhecido, decide fundar uma sociedade pautada na harmônia e tolerância com o próximo. Contudo, após alguns membros assassinarem outros integrantes, os pais dos falecidos decidem vingar os seus filhos e rompem, assim, com os valores da sociedade criando um ciclo vicioso. Semelhantemente, no Brasil contemporâneo, mesmo ao adotar os princípios de direito à vida compartilhada pela civilização ocidental, a omissão do estado em aplicar as leis contribui para a prática da justiça com as próprias mãos, que enfatiza uma jurisdição coercitiva que coloca a violência para se combater à violência fazendo-se necessário, portanto, uma análise minuciosa sobre o tema.
Primeiramente, é importante destacar que segundo o filósofo Thomas Hobbes, o homem em sua condição natural é movido pela guerra e por isso é necessário o estado, no qual é chamado de “Leviatã”. Dessa forma, o estado é o único autorizado e que tem o poder de fazer justiça. No entanto, o “Leviatã brasileiro”, ao se omitir na aplicação da ordem e da lei, faz com que a sociedade retorne ao seu estado de natureza, possibilitando, assim, brechas para a pratica de justiças coletivas sociais.
Ademais, essa anarquia social é a causadora do aumento de linchamentos e vinganças, dado que, os cidadãos descrentes na aplicação das leis e da ordem, decidem se igualar aos supostos criminosos que buscam justiçar, praticando crimes e perpetuando o lema de “olho por olho e dente por dente”, enfraquecendo, desse modo, as instituições de defesa e o progresso da civilização.
Em suma, é necessário que o Ministério da Defesa invista, por meio de verbas governamentais, em segurança e inteligência especializada para o combate à criminalidade e a diminuição de casos não resolvidos, garantindo a aplicação da lei e que não tenha espaço para justiças sociais. Além disso, cabe ao próprio ministério, a promoção por meio de mídias digitais, TV e Rádios de campanhas de conscientização, afim de divulgar que a violência nunca se combate a violência, pois somente assim, podemos conviver em um país seguro com a devida justiça sendo feita, e que não rompamos com os nossos valores sociais para não criarmos um ciclo vicioso similar a sociedade da série “Vikings”.