A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 24/08/2020
No filme “Batman”, um justiceiro civil misterioso combate o crime com as próprias mãos, trazendo paz mas também o caos para a cidade em que vive. Fora das telas, a realidade é diferente, a justiça feita pelos próprios cidadãos mostra-se somente prejudicial, uma vez que não há imparcialidade ao determinar uma punição ao acusado. Essa prática ocorre no Brasil, principalmente, pelo descrédito da população acerca da eficiência do Estado e as mídias sociais que acabam por incitar a violência. Em primeiro plano, cabe ressaltar que o principal motivador do problema é a ineficácia do Estado em promover a segurança da nação. Em razão disso, os cidadãos decidem agir para vingar um crime com as próprias mãos, porque consideram que as instituições de justiça são incapazes de resolver seus problemas. Um exemplo é o vídeo que circulou nas redes sociais de um indivíduo tendo os dedos da mão esmagados pela porta de um carro, o objetivo era que ele não as usasse mais para furtar. Isso mostra o descrédito da população, dado que o suposto roubo sequer foi denunciado.
Outrossim, as mídias sociais contribuem para que a justiça com as próprias mãos ocorra, uma vez que muitas vezes incentiva a violência. Ideologias contrárias são ,normalmente, instrumentos causadores de conflitos em seus adeptos mais radicais e as redes contribuem para que essa parcela da população dissemine discursos de ódio aos seus opositores, muitas vezes ultrapassando mensagens e tornando-se violência física de fato. Um exemplo foram as eleições ocorridas em 2018, em que a polarização de ideais levou a inúmeras agressões verbais nas mídias e pessoas a quererem impor verdades a força.
Portanto, são necessárias mudanças no atual cenário de justiceiros brasileiros. Primeiramente, cabe ao Governo um maior direcionamento de recursos dos impostos na segurança pública, principalmente no policiamento dos bairros, afim de oferecer uma maior proteção aos cidadãos. Ademais, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve atentar-se mais aos crimes cibernéticos, punindo os responsáveis mais severamente, com o objetivo de oferecer uma maior segurança aos usuários como também para ensinar aos delinquentes que a internet não é “terra de ninguém”, como muitos indivíduos ainda pensam.