A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 25/08/2020

´´Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo´´. O argumento de Marx leva ao pensamento de que é preciso transformar o mundo. Nessa perspectiva, ao se discutir sobre a prática da justiça com as próprias mãos no Brasil, o ponto fundamental é: o meio pedagógico é o principal ambiente formador da cidadania do indivíduo, o qual detém o dever de repassar os valores éticos às gerações futuras. Entretanto, o que se observa é a progressão do caráter radicalista no corpo social, com a utilização da violência para solucionar problemas em voga, desequilibrando a harmonia dessa esfera, sendo tal fenômeno motivado, tanto pela passividade do Ministério da Educação em desconstruir essa característica, quanto pelas próprias pessoas no que tange ao interesse de resolver esse impasse da forma correta.

Destaca-se, dentro desse contexto, a ideia de que o brasileiro não possui controle das emoções em ocasiões que exigem imparcialidade e racionalidade, deixando atitudes como castigos físicos e verbais se sobreporem aos mandamentos morais. Ademais, a percepção de que os europeus migraram para o país durante o processo de dependência da metrópole, comprova haver comportamentos históricos que foram trazidos e que influenciaram na formação da nação, como as Revoluções Inglesa e Francesa, as quais resultaram em conflitos desastrosos movidos pelo sentimento de revanche da classe oprimida. Assim, fica claro que o Estado precisa anular tal conduta permanente, a começar pela educação básica, para visar o progresso da população.

Antes lançar avaliação precipitada sobre o assunto, deve-se entender que, em função do individualismo avançado, o homem tende a ignorar a moralidade e o bem universal para aliar-se a própria vontade. Essa argumentação sustenta-se na ideia de modernidade líquida de Zigmunt Bauman, o qual afirma que o homem atual é cada vez menos consciente das consequências de suas ações na construção do meio social. Em vista disso, percebe-se que essa desconsideração com o efeito dessas decisões extremistas precisa ser refletida e desfeita, seja pelo governo, seja pelo exercício do povo.

É determinante, pois, para a resolução desse cenário, que o MEC promova investimentos em materiais didáticos sobre ética e cidadania, os quais abordem os princípios morais da sociedade, ajudando os alunos a lidarem com as problemáticas de maneira justa, sem qualquer empirismo, e, consequentemente, apaziguará medidas conflituosas e egoístas. Outrossim, deve-se haver interferência da Mídia em compartilhar postagens e propagandas, que ilustrem guerras e batalhas mundiais desastrosas como resultado de ódio e vingança, de modo a conscientizar e atentar os indivíduos a qualquer ação desarticulada, mitigando as tensões e as barbáries.