A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 28/08/2020
O combate da “injustiça com as próprias mãos”
Em uma das tramas da minissérie “Justiça”, exibida pela rede globo de televisão, é abordada a história de uma jovem que, sete anos depois de ter sido estuprada, reencontra seu abusador e o espanca até a morte. Fora da ficção, é fato que a realidade brasileira assemelha-se a da trama: a pratica da justiça com as próprias mãos tem se tornado comum no país e apresenta grandes riscos para a sociedade. Nesse contexto, deve-se avaliar como tais ações contribuírem para o aumento da criminalidade e para a permanência da injustiça social no Brasil.
Em primeira análise, é cabível averiguar como as ações dos chamados “justiceiros” intensificam a ocorrência de crimes no país. Consoante ao filósofo Jean Paul Sartre, a violência, independentemente de como se manifesta, é sempre uma derrota. Tal lógica mostra-se valida no Brasil, uma vez que parte da população acredita ser possível combater a violência com mais violência e se mune de agressões e discursos de ódio para executar um papel que deveria ser do estado. Como consequência disso, a segurança pública torna-se ainda mais fracassada, como evidenciado por Sartre, e a sociedade permanece refém da marginalidade.
Somado a isso, a pratica da justiça pelos próprios membros da sociedade pode auxiliar na permanência da injustiça social ainda marcante no país. Isso porque, o despreparo dos cidadãos para resolverem sozinhos os conflitos sociais acaba por prejudicar pessoas muitas vezes inocentes. A exemplo, em 2014, a jovem Fabiane Maria de Jesus foi linchada pela população de sua cidade ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças. Casos de atuação popular como esse demonstram o perigo da justiça com as próprias mãos e tem como consequência prejuízos irremediáveis na vida de inúmeros brasileiros.
Isso posto, torna-se necessário um debate a nível nacional sobre o tema. É cabível ao Ministério da Justiça e Segurança Pública solucionar a problemática. Para isso, a criação de medidas que garantam o julgamento eficiente de criminosos através da formulação de leis mais severas e efetivas e que transfiram a sensação de segurança à população é fundamental. Além disso, a criação de propagandas que desestimulem a violência social e alertem sobre os riscos de ações “justiceiras” é de extrema importância. Desse modo, será possível alcançar uma sociedade menos violenta em que a população não sinta a necessidade de criar suas próprias regras, mas confie no potencial do estado. Somente assim, o Brasil erradicará a justiça com as próprias mãos e evitará que casos como os de Fabiane se repitam no país.