A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Neste ano a desenvolvedora de jogos ‘Naughty Dog’ lançou o segundo jogo da franquia ‘The Last of Us’, que se passa em um mundo pós apocalíptico, sem um governo central onde comunidades lutam para sobreviver a uma poderosa infecção. Além do cenário comum da série, o lançamento trás um novo enredo baseado nas protagonistas Abby e Ellie que traçam suas jornada sem uma desgastante busca de vingança que apenas as prejudicam. Fora da ficção, no Brasil, a busca por justiça com as próprias mãos é uma realidade que,assim como mostrado no jogo,não trás bem algum para ambas as partes. Inegavelmente, pode-se afirmar que o vigilantismo é incitado devido a dois fatores: a falta de credibilidade do Estado em combater crimes e a romantização de justiceiros pela mídia.
Em primeira analise, é notório que a ausência de confiança no Estado para solucionar e punir crimes é o principal fator que leva as pessoas a praticar a auto-justiça. Adicionalmente, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes o ser humano no seu estado natural é movido pela guerra e por isso é necessário o Estado, denominado por ele como Leviatã, para remediar. Em concordância com as ideias do teórico inglês pode-se concluir que a prática da justiça com as próprias mãos é um fato devido à falha do Leviatã brasileiro que se mostra incapaz de controlar a natureza animalesca de seus cidadãos.
Ademais, é evidente que os meios midiáticos romantizam -por meio de filmes, livros e jogos- ações de auto-justiça.É basilar recordar de um dos maiores nomes da cultura popular no universo dos quadrinhos: o Batman. O personagem da ‘DC’ é um justiceiro que, depois de testemunhar o assassinato dos pais enquanto criança, jurou vingança aos assassinos e passou a combater o crime por conta própria em ‘Gotham City’. Analogamente ao Batman, muitos personagens que se guiam pelo caminho do vigilantismo são retratados como heróis pela mídia.Tendo em vista tal idealização desses atos criminosos, pode-se deduzir que as mídias influenciam seus públicos a normalizarem a auto-justiça e enxergar ela como ato heroico, contribuindo assim com a prática de justiça com as próprias mãos.
Faz-se premente portanto diligências para que cesse a prática de justiça com as próprias mãos no Brasil. Primeiramente, para solucionar o revés da falta de credibilidade do Estado a polícia civil deve aumentar sua fiscalização, com o auxílio de denuncias populares pelo número 181, para que criminosos não saiam impunes de seus atos e a população não se sinta desamparada da polícia. Outrossim, para resolver a questão da romantização de crimes pessoais em nome da justiça, os próprios veículos midiáticos devem desmitificar a problemática com auxílio de filmes e jogos -como The Last of Us 2- que mostrem como o caminho do vigilantismo é desgastante e prejudicial a todos. Assim após tomadas essas medidas sessara a prática de justiça com as próprias mãos no Brasil.