A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 28/08/2020
Na obra “Utopia” de Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que algumas pessoas decidem combater o mal social com as próprias mãos. Pode-se dizer, então, que esse cenário antagônico não só é fruto de uma educação básica incompleta, como também da falta de comprometimento do Estado nesse quadro.
Primeiramente, é fulcral pontuar como que uma educação de qualidade interfere no desenvolvimento do indivíduo. De acordo com o pensador grego Pitágoras, é importante educar às crianças para que não seja necessário punir os adultos. Nesse sentido, devido à falta de ensinamentos éticos e morais nas escolas, as pessoas se sentem livres para violar a lei e os direitos dos infratores - de pagar pelo crime de forma legal - fazendo a justiça com as próprias mãos. Sendo assim, é necessário uma mudança no setor educacional.
Ademais, é imperativo ressaltar a negligência das autoridades como detentora do problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Sob tal ótica, não é difícil perceber que os poderes Legislativo e Executivo falham diante desse processo, o primeiro por não criar leis eficientes para impedir que as pessoas combatem o empecilho com a violência e o segundo por não executá-las corretamente. Desse modo, é importante que medidas sejam tomadas para combater essa realidade desarmônica.
Infere-se, portanto, que assegurar as ações legais para combater crimes é um problema no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de poder executivo, deve atuar em favor da população, por meio da criação de leis que proíbam qualquer indivíduo de fazer justiça com as próprias mãos, a fim de que essas pessoas sejam punidas e condenadas perante a lei. Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham valores culturais e sociais, deve trabalhar unida e combater esse quadro por meio de boicotes e campanhas de mobilização, para que os infratores sintam-se pressionados e sejam obrigados a abandonar a prática. Desse modo, atenuar-se-à, ao passar do tempo, o impacto causado por essa prática e a coletividade alcançará os planos de More.