A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Max Weber defendia que a justiça deve ser praticada pelo estado e que o mesmo devia possuir monopólio do uso da violência para evitar o surgimento de justiceiros. No entanto, a prática da justiça com as próprias mãos tem sido cada vez mais presente na sociedade brasileira, causando um aumento da violência e de injustiças por todo o território.

De início, vale salientar que a grande fome por vingança advém do governo não ter feito a justiça do jeito que as vítimas gostariam ou simplesmente não ter feito justiça. Com isso, a vítima se vê no direito de se tornar uma justiceira e dar ao criminoso a sua devida pena. Entretanto, essas pessoas não querem justiça, elas querem vingança. Além disso, sabe-se que a vingança tem o potencial de se estender indefinidamente, pois cada crime é revidado por um novo crime, em uma espiral que pode não ter fim. Como a literatura de Shakespeare, com as famílias dos Capuletos e dos Montecchios em Romeu e Julieta, até a disputa da família Corleone com outros mafiosos em O Poderoso Chefão. Dessa forma, o governo não pode abrir brechas para que alguém revide algum crime sofrido.

Ademais, cabe destacar que a vítima não fara uso das leis na hora de punir o transgressor. Assim, a vítima ao usar as próprias mãos para se vingar acaba deixando a emoção intervir nos seus sentimentos, sendo imparcial na hora de fazer “justiça”. Além disso, muitas vezes o justiceiro não tem as devidas provas de que determinada pessoa realmente cometeu o crime, e com sua fome por vingança acaba fazendo com que, infelizmente, um inocente pague pelo crime que não cometeu, trazendo ainda mais injustiça a sociedade e mais uma espiral de vinganças sem fim. Como no nordeste, é muito comum brigas entre famílias por problemas passados perdurarem até os dias atuais. Por isso, é necessário uma pessoa imparcial que obedeça as leis na hora de julgar alguém, como um juiz, uma vez que essas leis auxiliam a justiça a ser proporcional à pena, não sendo injusta com nenhum dos lados. Caso contrário, a vingança pode ser mais violenta do que o crime original.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade da adoção de medidas que revertam esse quadro. Com isso, o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, deve criar novos projetos que visem um maior poder do estado na justiça, como a criação de leis mais rígidas para os justiceiros e aos criminosos e também caso a vítima não goste da pena do infrator ela possa pedir uma re-avaliação para que outro juiz julgue o caso também, a fim de as pessoas poderem se sentir representadas pelo estado e não mais injustiçadas tendo que se tornar justiceiras. Dessa forma, o estado estará obtendo monopólio do poder como dito por Max Weber.