A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 29/08/2020
A capa errada
Na década de 60, a editora “Marvel Comics” deu vida ao Homem-Aranha, um personagem de histórias em quadrinhos que impulsionado pela morte do seu tio, virou um super herói em busca de justiça. Analogamente, tal contexto é muito visualizado na sociedade brasileira, na qual grande parte da população se sente com o mesmo dever. Diante disso, a prática da justiça com as próprias mãos é impulsionada pelo solidificado sentimento de impunidade, causando consequências devastadoras.
Em primeiro lugar, a justiça brasileira faz-se ineficiente. A esse respeito, a negligência governamental no que se refere à segurança e justiça pública é grotesca, gerando um terrível cenário. Nesse sentido, o sentimento de impunidade perpassa pelo imaginário coletivo, que ativamente busca combater tal mazela, como no caso em que um ladrão teve a frase “Sou ladrão e vacilão”, escrita em sua testa. Dessa maneira, a realidade contradiz a suma do filosofo John Locke, em que a sociedade tem sua segurança garantida pelo governo, através de um contrato social. Dessa forma, substancial parcela desacreditada da justiça executiva, comete atos atrozes.
Em segundo lugar, atitudes justiceiras podem ultrapassar limites éticos e morais. Diante disso, atos extremos são diversas vezes notificados na grande mídia, nos quais a capa de herói se encontra coberta por sangue. Acerca desse cenário, veiculou-se no ano de 2019 o caso de dois meninos que atiraram em alunos e funcionários da escola de Suzano-SP, se suicidando depois. Posteriormente, a Polícia confirmou que os autores do crime -terrorista- sofriam “bullying” e que fizeram tal atrocidade em retaliação. Além disso, há uma outra forma de justiça com as próprias mãos velada que é propagada no feed do “Instagram”: a cultura do cancelamento. Desse modo, de forma verbalizada ou executada a capa justiceira veste diversas pessoas, corroborando para atos intolerantes e criminosos.
Torna-se evidente, portanto, que a prática da justiça com as próprias mãos, deve ser combatida. Sobretudo, a população deve requisitar ao Ministério de Segurança Pública melhorias no sistema municipal de segurança e investigação por meio de manifestações virtuais, e de requisições como abaixo-assinados entregues a prefeituras locais de modo a solicitar mais atenção a esse espectro. Assim, a população não ficará desassistida de um direito básico. Além disso, é mister que o Pasta dos Direitos Humanos deva elaborar métodos educativos a fim de desestimular atos justiceiros, conscientizando os caminhos a serem evitados para que a verdadeira capa seja vestida.