A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 29/08/2020
De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Não obstante, a prática de realizar a justiça com as propiás mãos no Brasil, revela-se como uma injustiça, haja vista que, muitos dos indivíduos que sofreram agressões ou até mesmo faleceram por esse tipo de movimento não foram culpados por determinado crime. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da má influência midiática e da insuficiência legislativa.
Pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma justiça efetiva, a divergente participação da mídia. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. No entanto, a mídia em vez de aumentar o nível de informação da população, floresce na persistência do problema, uma vez que está, vem, de maneira equivocada, normalizando as agressões realizadas por esse “justiceiros”. Nesse pesaroso contexto, são constantes os exemplos que comprovam essa situação, como o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, o qual realiza “propagandas” no que tange a violência com bandidos, como “bandido bom é bandido morto”. Desse modo, erroneamente desenvolve-se uma imensa quantidade de ódio no que concerne a realizar a justiça com as propiás mãos.
Outrossim, a insuficiência das leis ainda é um grave entrave para a resolução dessa questão. Na Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988 está descrito que todas as pessoas têm o direito a defesa jurídica com uma audiência caso o indivíduo seja acusado de determinado crime. Entretanto, a tardia resolução de questões públicas, floresce uma angustia na sociedade, de maneira que alicerça a vontade de o povo resolver esses crimes. Nesse sentido, são veiculas, por diferente mídias, casos que apontam essa questão, como o linchamento de indivíduos, o qual é auxiliado, normalmente com a transmissão da imagem do “marginalizado” pelas redes sociais, sem ao menos ter realizado a audiência para averiguar a veracidade da situação. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação deve, urgentemente, trazer a noção para o povo sobre as consequências desses atos.
Portanto, para a sociedade deixar de realizar esses equivocados movimentos. Faz-se peremptório, pois, que o Ministério da Educação, órgão que regula a educação em âmbito nacional, através de mídias de grande porte deve fazer campanhas, as quais sejam transmitidas nas redes sociais e que demonstrem a população os danosos problemas causados aos “justiçados” e “justiceiros”. Desse modo objetiva-se que o povo repense sobre esses atos e evite a injustiça para mais um inocente. Em suma, é preciso que haja logo, pois como dizia Anne Frank, " Que maravilha é não esperar um único momento para melhorar o mundo", destarte a justiça que dialogava Aristóteles concretize-se.