A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 29/08/2020

Na série televisiva “Chaves”, apresenta o dia a dia de um garoto pobre. Em um dos episódios, o jovem é acusado falsamente de ter furtado um ferro de passar roupas, apesar de ser inocente, ele é julgado e acaba sendo expulso pelos outros moradores locais. Fora da ficção, a prática da justiça com as próprias mãos no Brasil vem se evidenciando regularmente, causando ainda mais furdúncio para a população, seja pela cultura de cancelamento cibernético, seja pela ação de justiça momentânea.

Em primeiro lugar, o costume de julgar alguém livremente pelas redes sociais pode ser um gancho para a realização da justiça com as próprias mãos. De acordo com o pensamento do filósofo Nicolau Maquiavel: “Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição”. Dessa forma, por mais que as pessoas não possuam a necessidade de denunciar uma possível injustiça, elas acabam se deixando levar pela ambição da recompensa moral ao denunciar um provável criminoso, podendo assim, manchar a imagem de um inocente.

Ademais, as acusações contra uma pessoa na internet podem acarretar em danos ao usuário frisado, tanto mentalmente quanto fisicamente. De acordo com pensamento do sociólogo Max Weber: “A ação social afetiva ocorre quando o indivíduo age em função de seus afetos ou estados emocionais”. Por conta disso, é comum os casos de civis indignados com um acontecimento, ignorando a jurisdição da punição de crimes, levando à justiça com as próprias mãos.

Portanto, é de extrema importância que o Estado resolva o quadro atual. Para isso, as redes sociais, juntamente com o Ministério das Comunicações, deve realizar um filtro, por meio da classificação de relevância ao assunto, informando aos usuários sobre sua veracidade. Além disso, devem destacar as punições previstas na lei para quem cometer tal crime, através de publicações virtuais e televisivas. Para que, casos como retratado no episódio de “Chaves”, sejam evitados pela conscientização da população brasileira.