A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 30/08/2020

No livro “Utopia”, de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela pontua-se a ausência de adversidades e conflitos, modelo que inspira as civilizações ocidentais. Dessa forma, a prática da justiça com as próprias mãos distanciam o Brasil desse lugar utópico. Nesse contexto cabe reconhecer que a influência do mundo cinematográfico em relação ao público juvenil bem como a morosidade dos julgamentos, são fatores determinantes para a compreensão dessa problemática.

Diante desse cenário, cabe salientar que a  grande ascendência do mundo cinematográfico tem influenciado diretamente na mentalidade do público infanto-juvenil. A esse respeito , vale referenciar  o filme " Homem aranha " que  conta a história de um jovem, que após adquirir superpoderes, decide vingar-se pela morte do seu tio, combatendo o crime com suas próprias mãos e sendo exaltado pela população. A luz desta ótica , cabe ressaltar que tal problemática não é diferente fora das telas, visto que, muitos brasileiros têm o entendimento de que o justiceiro é o herói. Portanto, são necessárias ações que rompam com esse quadro vigente, uma vez que, essa mentalidade influência na formação das gerações supernas comprometendo o trabalho dos Órgãos responsáveis.

Em uma segunda análise, destaca-se a morosidade dos julgamentos como fator que ganha força nessa discussão. Nesse panorama é visto que, a demora com que os casos são julgados no Brasil interferem diretamente na confiança da população, uma vez que, degringolam a confiança na justiça. Exemplificando tal conjuntura, tem-se a pesquisa feita pelo site de Segurança Pública do Governo Federal que aponta que um crime dura em média de 6 a 8 anos para ser julgado, tal pesquisa remete para a demora do poder Judiciário dar uma conformação a família da vítima, que culmina em um descredito para com o Governo. O que urge mitigação.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas que aproximem, o Brasil desse lugar utópico  proposto por Morus. Desse modo, o Governo, principal órgão detentor de poder, juntamente com a Secretária da Cultura deve promover  eventos culturais nas escolas com filmes feitos pelo Governo em parceria com a indústria cinematográfica, que visem promover heróis inspirados na justiça feita pela lei no intuito de gerar uma nova mentalidade para as gerações futuras. Outrossim, é mister que o Estado juntamente com o Ministério Publico deve criar um Órgão que fique a disposição de dar uma satisfação para os familiares da vítima a respeito do andamento do julgamento com a finalidade de redundar uma abjuração a população. Para que assim o Brasil possa cumprir os ideais  positivistas de ordem e progresso e com efetiva práticas dessas medidas esse óbice há de ser atenuado.