A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 31/08/2020

No filme “A caça”, é retratada a narrativa de um homem que sofre ataques da população local em razão de uma mentira. Não obstante, é visto que, no Brasil, a população busca validar atos de violência, como linchamentos, por não encontrar a justiça através dos órgão públicos responsáveis. Porém, como dito por Jean Paul Sartre, “a violência, seja qual for a maneira que se manifesta, é sempre uma derrota”.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ineficiência das medidas governamentais que coíbem essa prática. Como relatado no documentário “Atire a primeira pedra”, as consequências dessas atitudes são reais e duradouras na vida das vítimas. Enquanto, muitas vezes, os agressores não sofrem penas equivalentes aos crimes e são exaltados pelo povo devido à atitude de “justiceiro”.

Ademais, percebe-se como esse panorama supracitado é um ciclo de violência. Uma vez que, parafraseando Emmanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Logo, uma sociedade que tende à solucionar seus conflitos apenas por meio de punições, deixando de lado a  aprendizagem, não permite-se desenvolver. Pois, segundo o primordial filósofo Pitágoras, “eduque as crianças e não será preciso castigar os homens”.

Portanto, é evidente que medidas são necessárias para mitigar esse impasse. Acerca disso, torna-se imperativo que o Estado, na figura do Poder Legislativo, configure efetividade às penalidades dos “justiceiros” por meio de uma manutenção que fortifique a lei contra a prática, aumentando o tempo de detenção e tornando-a inafiançável. Também deve-se conscientizar as massas, através das mídias, sobre as manifestações de ódio para que repudiem tais ações e as denunciem quando identificadas. Por intermédio dessas medidas, espera-se que o exercício da justiça com as próprias mãos seja contida no Brasil e, para Sartre, que seja uma vitória.