A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 31/08/2020

No livro “Crime e Castigo”, Dostoiévski mostra como a justiça com as próprias mãos traz a barbárie do ser humano. Fora da ficção, essa situação se materializa em linchamentos públicos e atos de atrocidades, como forma de remediar a impunidade que permeia a sociedade. Diante disso, deve-se dar a devida atenção à justiça brasileira para superar a insegurança que move essa onda de ódio.

Vale ressaltar, inicialmente, que a falta de punições judiciais criam um estado de insegurança. A esse respeito, segundo o IBGE a taxa de resolução de homicídios é de no máximo 8%; a baixa eficiência nas investigações e a consequente impunidade contribuem para o aumento da violência. Logo, é imperioso contornar esse obstáculo a fim de evitar o caos na sociedade brasileira.

A posteriori, é substancial discutir os aspectos desse estado caótico que propaga o ódio. Nesse sentido, no livro “O Senhor das Moscas”, o escritor William Golding demonstra um grupo de crianças de forma animalesca quando postas em um lugar sem normas, sem leis e sem moral. Sob essa análise, o déficit na coerção social coloca o individuo mais próximo da selvageria. Destarte, vê-se como é essencial superar a impunidade a fim de se evitar o estado anômico do país.

Portanto, é preciso ir de encontro a impunidade e a insegurança para solucionar a problemática da prática da justiça com as próprias mãos no Brasil. Cabe ao Estado, na forma de Ministério da Justiça e Segurança Pública, investir na contratação de mais pessoas qualificadas, equipamentos e na manutenção de delegacias. A partir dessa ação, espera-se que o números de investigações arquivadas e sem resoluções diminua, por conseguinte o sentimento social de segurança cresça. Dessa forma, a selvageria, que colocou o personagem de Dostoiévski em uma tortura psicológica e tirou a vida de uma inocente, será evitada no cenário brasileiro.