A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 01/09/2020
Segundo a escritora norte-americana Caroline Arnold, a chave para a transformação está no progresso gradual de grandes mudanças. Neste seguimento, tal pensamento, embora fundamental, não é concretizado na prática, pois a justiça com as próprias mãos ainda é persistente no Brasil, uma vez que não contribui para o desenvolvimento social. Isso decorre, não só pela negligência governamental, como também pelo despreparo social neste âmbito. Dessa forma, é de extrema importância a discussão desses aspectos para o pleno funcionamento do país.
Primordialmente, é essencial pontuar a omissão estatal para combater atos de justiças com as próprias mãos. Resultante da falha do Sistema Judiciário brasileiro, a ineficácia das leis contribui para uma maior porcentagem da violência, ora pela lentidão de processos e julgamentos, ora o excesso de tais. Nesse cenário, evidencia-se o caso de Fabiana Maria de Jesus, morta por linchamento após ser confundida com uma sequestradora de crianças no estado de São Paulo. Portanto, a insuficiência na execução das leis causa indignação na população pois acarreta um sentimento de vingança que muitos colocam em prática, que corrobora para a permanência do problema.
Ademais, é importante ressaltar a inaptidão comunitária para lidar com práticas de justiça com as próprias mãos, visto que a o acesso à informação de qualidade enfrenta dificuldades, o que contribui para disseminação de fake news, como consequência, linchamentos. Conforme o educador e filósofo John Dewey, a educação qualificada é um processo social ao desenvolvimento, ou seja, evidencia não só pelo compartilhamento de notícias falsas, bem como a descrença na Justiça brasileira, na Democracia e nos Direitos Humanos. Sendo assim, uma mudança no ensino da sociedade será imprescindível para resolver o impasse.
Inferem-se novas maneiras para solucionar a prática de justiceiros. Logo, o Estado, aliado ao Ministério da Justiça, por meio de capital governamental, devem promover, não unicamente melhorias na segurança pública e na aplicação das Leis, como campanhas para educação, capacitação e aprendizagem dos indivíduos acerca de uma forma sensata para combater fake news e o ciclo vicioso que a justiça com as próprias mãos pode acarretar, a fim de englobar a todos à causa e atenuar o problema. Somente assim, buscar o tão sonhado progresso de Carolina Arnold.