A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 03/09/2020
O personagem de desenho em quadrinhos, Batman, é um justiceiro, isto é, ele não espera a ação da polícia para levar infratores á justiça, ele age com as próprias mãos. Analogamente, se vê no Brasil uma grande quantidade de pessoas que concordam com esse modo de agir, gerando um enorme problema para a sociedade, ao fazer com que muitos criminosos sejam punidos não pelo sistema judiciário, mas sim por cidadãos comuns.
Primeiramente, é possível apontar diversas causas para esse problema, mas o que se destaca é a falta de eficiência do Governo em punir os criminosos. Pensando nisso, uma matéria do programa televisivo Globo repórter, retrata tal fato muito bem, ao mostrar casos de cidadãos que julgam e punem infratores por conta própria, estando as pessoas a sua volta apoiando tais atos, sob a justificativa de que se eles não fizerem, não tem quem o faça, mostrando que a população está desacreditada nos órgãos públicos.
Ademais, esses atos podem trazer diferentes consequências, sendo a maioria delas ligadas a linha que separa justiça de agressão irracional. Ou seja, um pai de família ao ver sua casa sendo roubada, por exemplo, não consegue ser racional o suficiente para levar esse ladrão a uma punição justa, se deixando levar pela raiva e acabando espancando a pessoa até a morte, como ocorreu na cidade de Óbitos alguns anos atrás. Dessa forma, a prática de justiça com próprias mãos, apesar de ter como objetivo a diminuição da violência, na verdade só a torna maior.
Portanto, cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com o Poder Judiciário, aumentar a eficácia dos processos que levam até a justiça. Isso deve ocorrer por meio do aumento de policiamento nas ruas, inibindo o crime e ajudando nas prisões necessárias, e diminuindo a quantidade de burocracia, tornando as ações judiciais mais eficientes, a fim de diminuir a necessidade que as pessoas sentem de julgar e punir com as próprias mãos.