A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 04/09/2020

A pratica do linchamento já é antiga no Brasil, tendo sido adotado, por exemplo, por Lampião, ao fazer justiça com as próprias mãos matando o policial que matou seu pai. Posteriormente o próprio Lampião foi morto violentamente com a cabeça decepada e as fotos da cabeça dele e de seus companheiros divulgadas nos jornais da época. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude na ausência do Estado e a exposição sensacionalista das mídias encima da violência com as próprias mãos.         Segundo o sociólogo e especialista no assunto, José de Souza Martins, o Brasil tem pelo menos um caso de linchamento por dia. Nas últimas seis décadas, estima-se que um milhão de pessoas tenham participado de algum caso de violência coletiva no país, sendo a maior parte em áreas urbanas, periféricas, com populações adventícias, sem raízes com a localidade. Nessas localidades o Estado se distancia ainda mais. Nesse sentido, o filosofo Durkheim diz que o individuo precisa se sentir integrado, e a sociedade anômica gera patologias, fazendo o ato do linchamento um momento em que ele sente que faz parte de um grupo.

Ademais em 2014, a jornalista Rachel Sheherazard defendeu o linchamento de um jovem amarrado a um poste. Igual Rachel, a mídia explora constantemente casos de linchamento. Para o sociólogo José de Souza Martins, esse apoio midiático aos linchamentos faz com que a população sinta que tem o alvará para praticar o ato sem culpa.

Portanto, o judiciário precisa diminuir o tempo para processar todas as ações judiciais no tempo previsto pelo código de processos penais, fazendo assim com que o cidadão sinta que há regras e que faz parte da sociedade. Também é necessário que as agências reguladoras de comunicações e jornais coíbam tais apologias a justiça com as próprias mãos, com isso o cidadão não sentirá que tem apoio para tais atos, reduzindo assim o número de linchamentos no país.