A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 25/09/2020

Platão, um dos maiores filósofos da humanidade, falava que “os homens vivem em um mundo de sombras sem conseguir visualizar o mundo real”, tentando explicar a ignorância dos seres humanos. De tal forma, a prática da justiça com as próprias mãos, no Brasil, é um problemática que se encontra cada vez mais difundida na sociedade, principalmente pela internet e pelos jovens, com a cultura do cancelamento, que com a sua própria ignorância, julgam aquilo que os convém como o correto.

Deve-se pontuar, que na contemporaneidade, os jovens brasileiros se sentem cada vez mais obrigados a terem esse senso de justiça, que não é algo ruim, mas a partir do momento que se torna algo compulsivo, com linchamentos virtuais gratuitos a qualquer pessoa, por um simples erro, sem ao menos tentar ensinar o correto antes, essa prática se torna doentia. Segundo o psicólogo Yuri Busin, a cultura do cancelamento, é uma prática considerada como uma justiça com as próprias mãos, e o mesmo ainda reflete “A gente está sempre julgando e, obviamente, cada um vai ter seu crivo, embora existam outros generalizados. É possível que a pessoa reflita, mude, se abra para um debate, claro. Mas o cancelamento não essencialmente resultará nisso. Não é com punição que a gente muda ou ensina as pessoas”.

Além disso, há vários casos que comprovam como a cultura do cancelamento está cada vez mais integrada na nossa sociedade, ainda mais agora com a pandemia, onde qualquer pessoa fora de sua residência, ou com uma máscara posicionada de forma incorreta no rosto, é motivo de linchamento. O Coordenador do Núcleo de Estudos em Ética e Política da Universidade Federal de Pernambuco, Filipe Campello, acredita que essa prática está cada vez mais comum pelo fato de que pessoas que nunca tiveram voz, agora tem a capacidade de gritar na internet. E um caso que ficou bem conhecido, foi o da influenciadora fitness, Gabriela Pugliese, que resolveu fazer uma festa em plena pandemia e divulga-la, após se curar da doença, conhecida como Covid-19, onde a mesma, além de ser “cancelada” na internet, e ganhar diversos linchamentos, por dias, também perdeu contratos importantes.

Com base nesses dados, é necessário que o governo juntamente as redes sociais, que são as maiores propagadoras desta cultura, tomem providencias mais rígidas com a implementação desta prática na lei que criminaliza a justiça com as próprias mãos, por parte do governo e uma advertência de 10 a 15 dias, por parte das redes sociais, àqueles que utilizam as mesmas para linchamentos e discursos de ódio. Pois, se providências não forem tomadas o quanto antes, essa prática se tornará cada vez mais comum e fora do controle, já que os jovens brasileiros, começarão a pensar que as suas ações não possuem consequências.