A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Cidadã assegura direitos como educação,saúde,liberdade de expressão e,sobretudo, segurança. Entretanto, ao se analisar a realidade brasileira vigente, é evidente que tal acesso não é ofertado de sua forma plena.Logo, é possível perceber o levante do poder social no intuito de garantir-se o benefício ausente. Dessa forma, torna-se necessário analisar as causas e consequências de tal questão considerada como uma problemática a ser enfrentada, uma vez que a população não possui meios adequados para própria defesa contra a criminalidade.
Em primeira instância, cabe salientar a ineficaciedade do poder governamental nesse âmbito. Desse modo, a falta de políticas públicas efetivas que tenham por fito o combate a marginalização social, causa o regresso constitucional da coletividade à Lei de Talião, que tem por lema a frase, “Olho por olho, dente por dente”. Portanto, a ausência do Estado é propulsora de um índice maior de violências nos grandes centros, já que a população, movida pela indignação, procura formas alternativas de justiça.
Outrossim, vale destacar a geradora dessa questão, a obsolência do processo educacional, que por vezes se torna desinteressante aos indivíduos, estes que terminam por buscar no crime seu " ganha-pão", visto que não possuem devida qualificação profissional. Nesse contexto, tem se o déficit escolar como prejudicial à formação de valores fundamentais como empatia e cidadania. Tal conceito é explicado pelo sociólogo Zygmunt Bauman em seu estudo sobre a Modernidade Líquida. Ou seja, a falta de um ensino educacional de qualidade proporciona a carência de laços empáticos em ambos os lados, desde quem pratica a ilegalidade a quem escolhe a violência como meio de resolução.
Assim, diante o que foi exposto, é pertinente que se pense em intervenções a fim de que esse cenário seja convertido. É de suma importância a ação do Estado Brasileiro junto ao Ministério responsável pela segurança, na criação e realização de comícios que objetivem a promulgação de medidas de fiscalização eficazes a favor da diminuição da taxa de criminalidade, alarmante no ambiente urbano. Análogo a isso, é dever do Ministério da Educação (principal órgão de formação civil), na promoção de melhorias na instituição escolar, como qualificação do corpo docente e disponibilização de disciplinas complementares de dança, teatro e educação física, fitando desenvolver o senso crítico e cidadão por meio de maior interatividade. Pois, segundo o pensamento de Pitágoras, é melhor educar os meninos para que não seja necessário castigar os homens.