A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 03/01/2021
No início da idade média, nobres senhores feudais promoviam linchamentos públicos aos plebeus sob a prerrogativa de “justiça” contra supostos crimes de heresia aos valores divinos e sociais. Entretanto, muitos eram apenas motivados por razões pessoais. Por conseguinte, a Igreja, que era atrelada ao Estado na época, criou tribunais, justamente para pôr fim à barbárie, oferecendo um julgamento imparcial aos acusados de heresia. Atualmente, o Brasil, assim como a Europa feudal, depende de maior controle da justiça, e isso se nota devido à ausência de segurança pública e consequentemente com crise de impunidade.
Destarte, dados levantados pelo Ministério da Justiça mostram que o Brasil tem 413.012 policiais civis e militares, média de 1 para cada 410 habitantes. Preeminente ressaltar, índice considerado baixo pela demanda de segurança necessária ao país. Dado este cenário, deduz-se que uma das maiores causas da prática da justiça com as próprias mãos seja a ausência de profissionais disponíveis para cumprir tal papel. Ademais, a sociedade provocará mais problemas sociais devido a isso.
Outrossim, além da problemática supracitada, a falta de profissionais de segurança resulta num índice de impunibilidade incomformado pela sociedade civil. A título de exemplo, segundo o IBGE, o índice de resolutibilidade dos crimes praticados no Brasil é de 8%. Fica evidente que, como 92% dos crimes vistos pelo povo não são solucionados pelas guardas públicas, incurte-se no inconsciente social uma desconfiança nos mesmos. Logo, só a justiça com as próprias mãos parece ser a saída.
Sendo assim, em vista da problemática supracitada, urge ao Ministério da Justiça, abrir o primeiro plano nacional de polícias locais de condados e xerifados. A devida ação, promove a criação de um policiamento com baixo custo composto por civis de ficha limpa e previamente treinados em regiões periféricas as quais costumam ter menos policiamento. Com essa medida, a credibilidade e presença do poder público aumentará perante a sociedade civil que não mais queirará fazer justiça com as próprias mãos.