A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 28/04/2021

Robin Hood, o famoso personagem inglês que surgiu durante a idade média, era um fora da lei e segundo as histórias, ao observar as desigualdades sociais ele passou a roubar dos nobres para dar aos pobres e menos favorecidos. O mito do justiceiro é um clássico exemplo de justiça com as próprias mãos, ou seja, ele agia sem a legitimação do Estado ou leis, mas sim com a sua própria noção de certo ou errado. Em vista disso,a correção sem a participação do sistema judiciário ainda existe na sociedade brasileira, principalmente nos sites de relacionamento e nos locais com a ausência do governo.

Nesse sentido,no contexto das redes sociais, os internautas têm desenvolvido uma nova cultura, chamada “cancelamento”. Isso acontece quando algum influenciador fala ou faz algo considerado inadequado ou preconceituoso, então, os ‘‘promotores” e’‘juízes” (usuários das mídias) estão preparados para punir ou defender alguém a todo custo. Essas “sentenças” , normalmente estão carregadas de um discurso de ódio e intolerâncias, no qual o objetivo maior é ofender, não mostrar a pessoas como ela deve melhorar, como afirma a ex-cancelada Gabriela Pugliesi,e ainda de acordo com ela, a condenação foi desproporcional. Essa prática, pode gerar graves consequências emocionais para os envolvidos, como a depressão , ansiedade e síndrome do pânico. Somado a isso, outro local a se considerar são as áreas que sofrem da negligência do estado, como as favelas. Áreas assim são carentes principalmente da ação policial, o que leva à formação de um sistema de “governo” próprio que dita as regras, um exemplo é o PCC que controla a circulação de pessoas, eventos e até mesmo a “segurança privada” das favelas do Rio de Janeiro. Nesse contexto, as milícias não agem com princípios claros (como isonomia, integridade e imparcialidade) ou para a proteção do coletivo, em vez disso, atuam por interesses próprios para a manutenção do poder. Consequentemente, o processo deixa muitas manchas, como a morte de pessoas inocentes, sensação de insegurança da população e o aumento da violência. Portanto, medidas devem ser tomadas para incentivar a população brasileira a não praticar a justiça com as próprias mãos. Por isso, a escola, esfera pública responsável pela conscientização dos indivíduos, deve promover fóruns de discussão sobre a “cultura do cancelamento” , por meio de exemplos práticos de como isso afeta as pessoas e somente aumenta a intolerância, tendo por objetivo, gerar alunos mais conscientes sobre como não disseminar ódio nas redes sociais e também aumentar a empatia deles para entender a dor do outro e pararem de fazer justiça pelas próprias mãos. Além disso, as milícias devem ser combatidas para diminuir a violência e deixar que o Hobin Hood fique apenas no imaginário.