A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 11/02/2018
A famigerada violência deve ser combatida. Todavia, derramando mais sangue, sendo ele inocente ou culpado. Tamanha contradição é observada no cotidiano, quando uma sociedade saturada pela inércia do poder público, procura suas próprias armas para aplicar a “justiça” ao seu modo.
De acordo com o livro “Vigiar e punir” de Michel Foucault, na idade média, a repreensão estava atrelada ao sentimento de vingança. O que é perceptível, atualmente, é retrocesso do pensar social que aniquilando o marginal é a solução para alcançar a paz contínua. Contudo, tal discrepância é alimentada por propostas políticas como a maior abrangência de civis com o porte de arma. Tendo como consequência a volta da antiga lei babilônica: do olho por olho e dente por dente.
Além do que, isso só deixa mais visível a incapacidade dos governantes, de amenizar os reflexos de sua falta de planejamento, na área de segurança. Passando suas responsabilidades ao povo, de se defender sozinho. O que gera mal entendido na população. Exemplo disso, foi o linchamento ocorrido no final do ano de 2017, na região oceânica do Rio de Janeiro, em que um casal de comerciantes idosos, foi acusado de sequestrar crianças na localidade. Entretanto, a mentira acarretou em constrangimento moral e físico, isso tudo por conta da inexistência de policiais na localidade. Ainda assim, é cada vez mais evidente casos dessa natureza sendo divulgados em redes sociais.
Portanto, para que haja o equilíbrio nas relações sociais, é preciso que a máquina pública sofra um impulso para sair da inércia. E que, seja percebido que é necessário cessar a violência, a partir dos discursos de ódio do facebook. Desta forma, colocando em prática o que Foucault ensinou, acerca do Panóptico, cedendo visibilidade, aos delinquentes e aos que se denominam justiceiros, porém estendendo tal ação às ruas. O que se tem acesso, nos grandes centros urbanos, com câmeras espalhadas na localidade. Deste jeito é alcançada a harmonia entre os brasileiros.