A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 11/02/2018

No Brasil contemporâneo, a insatisfação popular com relação à ineficácia do estado em estabelecer segurança tem proporcionado a prática da justiça com as próprias mãos que se mostra um problema presente. Tais ações se devem, sobretudo, à ineficiência do poder judiciário, como também, à impotência das instituições educacionais. Logo, há a necessidade de ações por parte destas, bem como, do governo, visando ao enfrentamento do problema.

Inicialmente, destaca-se o plano político da questão. O sistema judicial, que segundo a constituição e a lei, deveria ser o responsável por garantir a defesa e o resguardo dos indivíduos revela-se improdutivo, visto que, cotidianamente, cidadãos se veem rendidos à violência urbana, o que proporciona aos moradores o aborrecimento quanto ao estado. Por consequência, surgem revoltosos, crentes na valência da justiça com as próprias mãos, quando na verdade seus atos se resumem a vingança e ódio que desperta apenas  mais violência.

Outrossim, há a dimensão cultural do problema. Preceitos de vingança confundidos com justiça são pregados desde a antiguidade, exemplo disso é a Lei de Talião, ou lei de retaliação, criado na Mesopotâmia que exigia que um criminoso fosse punido com um sofrimento de igual proporção ao ocasionado. Pensamentos como esse podem ainda ser notados hoje, quando retratados em ditados como “bandido bom é bandido morto” que refletem ignorância e o conceito incorreto de justiça, além de perpetuarem a cultura de criminalização presente no inconsciente coletivo.

Desse modo, a justiça feita por meios não institucionais é um problema a ser corrigido. Para isso, é preciso uma reforma do judiciário e do código penal por parte do Ministério da Justiça, assim como, maior aplicação das leis por meio do melhor patrulhamento de policiais a fim de garantir a segurança dos indivíduos. Ademais, as instituições educacionais devem, juntamente com palestras mediante professores e oradores, pontuar temas como justiça e desconstruir preceitos para formar cidadãos pensantes.

Aristóteles já dizia " A base da sociedade é a justiça"