A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 10/02/2018
O quadro “Guernica”,do cubista Pablo Picasso,retrata os horrores da guerra sobre uma cidade. Analogamente, no Brasil atual, uma violência exacerbada assola a sociedade.Como resposta de muitos a cenário de horror, surge a prática da justiça com as próprias mãos. Assim,convém analisarmos as causas da problemática.
Primeiramente, cabe citar a falha do Estado na segurança pública. Segundo a teoria positivista de Augusto Comte, é dever do governo promover a ordem na sociedade.Tal premissa, todavia,não tem sido efetivada. Dessa forma, motivados pelo sentimento de injustiça, muitos legitimam agressões físicas contra supostos criminosos. Exemplo disso foi o adolescente torturado, tendo sua a face tatuada “Sou ladrão e vacilão”.
Destaca-se,ainda, a ineficiência da educação em formar cidadãos éticos, conscientes do Estado Democrático de Direito. Consoante Paulo Freire, quando a educação não é libertadora, o oprimido passa a ser o opressor. Sendo assim, pessoas vítimas de crimes, ao verem a justiça não ser cumprida, passam a legitimar a violência e, assim, um ciclo vicioso é gerado.
Fica evidente, portanto, a urgência de se reverter essa situação. Para isso, é necessário que a escola, por meio de projetos interdisciplinares das ciências humanas, promover a discussão de ética e justiça, ressaltando direitos e deveres dos cidadãos, para que o famoso jargão de que “bandido bom é bandido morto” seja desconstruído nas próximas gerações. Ao Judiciário, o dever de acelerar os processos jurídicos, garantido que sejam efetivados e, assim, o sentimento de imputabilidade seja dissipado da sociedade.