A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 05/02/2018
Brás Cubas,o defunto-autor de Machado de Assis,diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão:a postura de muitos brasileiros frente a prática da justiça com as próprias mãos é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento.Com isso,surge a problemática da violência injusta que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país,seja pela insuficiência das leis,seja pela lenta mudança de mentalidade social.
É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema.Conforme Aristóteles,a poética deve ser utilizada de modo que,por meio da justiça,o equilíbrio seja alcançado na sociedade.De maneira análoga,é possível perceber que,no Brasil,a justiça feita com as próprias mãos rompe essa harmonia;haja vista que,embora esteja previsto na Constituição o princípio da justiça,no qual todos devem ser tratados igualmente,muitos cidadãos utilizam de tal prática para solucionar problemas que cabe ao poder judiciário e,resulta na morte de indivíduos inocentes.
Segundo pesquisas,há muitos casos de engano entre criminosos e cidadãos de bem,destacando-se a prática da violência como principal impulsionador do problema.De acordo com Durkhein,o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar.Ao seguir essa linha de pensamento,observa-se que o exercício de agressão de forma injusta,com pessoas inocentes,se encaixa na teoria do sociólogo. uma vez que se uma criança vive em uma família que apoia esse tipo de comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim,a continuação do pensamento da justiça feita com as próprias mãos,transmitido de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de violência, perpetuando o problema no Brasil.
Infere-se, portanto, que a justiça com as próprias mãos é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Governo Federal construir delegacias especializadas em crimes de ódio,a fim de atenuar a prática da problemática na sociedade, além de aumentar a pena para quem a exercitar. Ainda cabe à escola criar palestras sobre a importância de não cometer injustiças,visando a informar crianças e jovens que é crime no país, diminuindo, assim, a prática. Ademais, a sociedade deve se mobilizar em redes sociais, com o intuito de conscientizar a população sobre os males da agressão de forma injusta.Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e criar um legado de que Brás Cubas pudesse se orgulhar."