A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 07/02/2018
“Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal” (Salmos 37:8)
Na bíblia vemos várias passagens sobre a ira, mas é difícil nos lembrarmos deles em um momento de raiva. Cada vez mais, vemos pessoas praticando a justiça com as próprias mãos, levadas talvez pela raiva, pelo sentimento de impunidade ou apenas pelo prazer de ver o outro sofrer. A verdade é que nunca iremos saber o verdadeiro motivo pelo qual essas pessoas decidiram tomar tal atitude. Mas afinal, quem somos nós para julgar?.
Não estamos preparados para condenar ninguém, principalmente em um momento de tensão. Além disso, temos um Estado, leis e especialistas para julgar o ato infracional do cidadão. Julgar o ato infracional, não a pessoa e esse é o maior problema da justiça com as próprias mãos.
Se podemos condenar alguém pelo simples fato de a considerarmos má, então todos devemos ser julgados e condenados, porque ninguém é 100% bom. E podemos comprovar isso com as redes sociais, onde milhões de pessoas compartilham vídeos de pessoas que se auto intitulam justiceiros com mensagens de ódio, incitando a violência e o linchamento. Chegamos a uma questão: - o que difere essas pessoas do suposto bandido, se a lei não irá nos julgar por quem somos mas pelas nossas ações?.
Muitos tentam justificar esse ódio, dizendo que estão cansados da ineficácia das nossas leis. Mas ao invés de tentarmos justificar, não seria mais fácil cobrar dos nossos governantes uma mudança, já que a Constituição pertence ao povo?. Exigir educação?. Já que essa sim seria uma medida a longo prazo, porém eficaz contra a violência?. Estamos muito preocupados com soluções a curto prazo, o linchamento é uma prova disso. O nosso país está doente, muitos apontam o dedo e poucos estão dispostos a ajudar. Vale mais gravar um vídeo, do que impedir que uma injustiça seja cometida. Porque a justiça com as próprias mãos, nem sempre é justa, mas sim desproporcional. E isso, não nos torna melhor do que aquele que errou, mas sim piores.