A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 10/02/2018
Aqui se faz, aqui se paga. Ditado popular ainda presente no pensamento de certa parcela da população brasileira, pessoas que apoiam ou praticam a justiça com as próprias mãos. Tal ato errado, problemático e perigoso, demonstra a fragilidade de uma sociedade com indivíduos que apresentam tendências violentas, além de um sistema de segurança e um judiciário ineficazes.
Ao dizer que o homem é o lobo do homem, Hobbes expressa com clareza a natureza violenta do ser humano, guerras, agressão e tortura marcam a história e normalmente foram justificadas com motivos como religião, política ou superioridade de certas nações. Porém, na atualidade tais bárbaros alegam estar fazendo justiça, quando na verdade estão cometendo um crime contra a vida alheia, às vezes por pura diversão. Decerto não é lícito que uma pessoa acometa outra, principalmente sem provas de algum delito, pois nessas situações pode ocorrer graves equívocos, como em Blumenau no ano de 2014, quando um jovem foi confundido com um ladrão e por esse motivo foi espancado por três homens.
Ademais, é dever dos órgãos competentes cuidar da segurança pública, entretanto é possível perceber lacunas no número de policiais atuando no Brasil, assim como uma péssima condição de trabalho para esses, situação que ficou visível nas greves feitas por essa classe em 2017. Tais falhas geram medo na sociedade, que muitas vezes se sente desamparada e indignada diante desse cenário caótico, o que abre espaço, então, para que alguns civis vejam-se no direito de tentar fazer valer a justiça pessoalmente.
É preciso que, em suma, uma mudança ocorra nessa situação. Para isso, os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, devem ser modernizados, neste designando o aumento de policiais em todo o Brasil, através da abertura de mais vagas nas academias de polícia, para que dessa maneira a justiça seja feita de forma limpa, de acordo com os direitos humanos à vida, nesse e naquele com a atualização da legislação referente à Segurança Pública, atendendo dessa forma as atuais necessidades da população brasileira, assim como aumentando o número de vagas nos concursos públicos para juízes, promotores e advogados, para que os processos possam ser julgados com mais eficácia e rapidez. No mesmo intuito o Ministério da Educação em parceria a ONG’s deve instituir em todas as escolas, públicas e particulares, do Ensino Fundamental ao Ensino Superior, matérias que tratem de ética e convivência, que possa ensinar técnicas de autocontrole, como a meditação, para que dessa maneira os indivíduos aprendam a controlar seus impulsos violentos, fazendo com que a sociedade possa ser liberta dessas atitudes perigosas e inadequadas.