A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 08/02/2018
A Constituição Federal do Brasil fundamenta-se em Estado democrático de direito e tem como objetivo criar uma sociedade livre, justa e solidária. Entretanto, não é possível obter tais características quando o senso de justiça da população brasileira é deturpado à ponto de virar uma verdadeira máquina de vingança e ignorar os direitos fundamentais de cada indivíduo.
Historicamente, o nazismo é um exemplo clássico de como o desrespeito pelas normas constitucionais pode tomar conta do racionalismo, assim como a prática da justiça com as próprias mãos. Nesse sentido, praticar uma ação violenta contra suspeitos de cometerem um crime, é um ato irresponsável e de uma barbaridade contrária à um pacto em sociedade, pois quem possui o monopólio da força é o Estado e somente ele tem o dever legal de utilizar quando necessário.
Dessa forma, qualquer pessoa que se proclama cidadã e defende os direitos naturais, tais como a vida e liberdade não pode cometer o erro de linchar um suspeito de homicídio, por exemplo, por justamente não ter sido julgado e condenado pelo poder judiciário. Caso contrário, a vida estaria imitando a arte como nas séries de televisão (Vikings e Game Of Thrones) e a frase do poeta e dramaturgo Oscar Wilde faria total sentido. E, se o Brasil deseja obter o posto de país desenvolvido, é irracional negligenciar um dos problemas que o atinge e modifica toda a estrutura constitucional brasileira: a justiça pelas próprias mãos.
Sendo assim, é imprescindível que haja mobilização por parte da mídia para criar um ambiente mais informativo sobre deveres de cada cidadão e a importância do respeito às leis. Não obstante, no âmbito escolar - onde os professores possuem um papel crucial na formação cidadã do aluno - é possível criar oficinas e olimpíadas sobre cidadania, moral e ética com apoio da direção escolar. Mas também, os pais ensinarem aos filhos, o respeito ao próximo e fazê-los entender que há instituições legais para uma sociedade funcionar.