A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 11/02/2018

Justiça nas mãos do povo

Aqui se faz, aqui se paga. Expressão popular da língua portuguesa, utilizada no sentido de obtenção de justiça, devendo as pessoas serem responsáveis pelos seus atos e terem que lidar com as consequências dos mesmos. Seria isso uma demonstração, da ausência de um conceito bem fundamentado sobre justiça, ou até da grande ineficiência do governo brasileiro em resolver questões onde a justiça precisa ser realizada com êxito. O crescente número de casos de violência, onde famílias perdem membros e mães ficam inconsoláveis ao perder seus filhos, tem desperto um sentimento de vingança em cada vítima.

Ao fazer uma análise da perspectiva brasileira atual, nota-se que a sociedade vive em meio a uma revolta em vista da falta de segurança pública e da péssima atuação da justiça mostrando a crise de legitimidade do Estado, surge então como solução para a população, os linchamentos, que têm ganhado a capa dos jornais no Brasil. Isso faz com que a população tenha uma descrença nas instituições de justiça e acabe resolvendo os seus conflitos de maneira privada se apropriando do direito único e exclusivo do Estado de aplicar as sanções punitivas ao suspeito, resultando na violação do direito do indivíduo ao devido processo legal e muitas vezes até na sua morte.

Com isso, pode-se dizer que os praticantes do linchamento substituem o poder estatal, no caso o judiciário, na sua exclusiva função de julgar e punir os réus, fazendo com que, posteriormente, em muitos casos, fique comprovado que o linchado não tinha envolvimento com o ato lhe imputado. Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual leva a população ao linchamento como também é delicado lidar com os motivos que levam jovens a cometer tais crimes. Ambos estão infringindo direito e deveres instituídos na cidadania brasileira. Em muitos casos se pensa que apenas estão se defendendo contra quem está repelindo injusta agressão ao direito seu ou de outro levando a pensar que estão agindo em legítima defesa quando na verdade estão apagando um crime com outro.

Em face a essa realidade é imprescindível que todos se conscientizem sobre a imoralidade dos seus atos e se sensibilizem que solucionar com mais violência é a melhor forma de mudar essa realidade. Cabe então a secretaria de Segurança junto com a Polícia melhorar a sua funcionalidade, e também junto com estes, o poder judiciário, executando sua função. É interessante também aumentar os debates dentro das escolas, em aulas de Sociologia, levando a reflexão sobre moralidade, ela não pode ser descartada da vivência humana, pois faz parte do caráter do homem. Cabe então à população saber empregar esse comportamento de maneira correta para, com ética, construir o seu futuro.