A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 10/02/2018

Quem Foi O Agressor?

De acordo com o artigo de número 5 da Declaração Universal de Direitos Humanos, ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. O hábito de aplicar a justiça vai além da revolta com o ato, age contra os direitos humanos, passando pela educação coletiva escrita ao longos dos anos, chegando nas autoridades de poder. Diante do aumento  da violência explícita, a população ficou cansada de se deixar à mercê dos violentadores.

Na antiguidade, o rei da Babilônia, Hamurábi, escreveu os primeiros códigos de leis e a pena era aplicada com o delito cometido. No Brasil contemporâneo não é tão diferente, mesmo com os direitos humanos e tudo mais. Hoje com o Estado ausente nas manifestações marcantes de hostilidade contra os cidadãos, os mesmos percebem uma oportunidade de retaliação. Olho por olho e dente por dente, essa lei ainda está presente.

Essa educação violenta é consequência de várias anos de portas fechadas, rezas incessantes e suspiros de alivio ao ver o ente querido chegar sã e salvo em casa. Isto é, com o País absorto nas formas de proteção ativa e educativa, a população se faz presente na luta contra a violência. Entretanto, após assistirem à inúmeros relatos de agressões, cada grupo se manisfestou criando suas próprias maneiras de aplicar a justiça. Tornar-se violento se tornou usual.

Quando a legalidade interrompe-se a prestação de atenção primária ao seu povo, só aparecendo quando é para puni-lo, há uma perda da sua credibilidade. Desconfiança em decorrência da negligência de políticas públicas beneficiadoras ao público-geral. O baixo investimento em educação para a prevenção de várias áreas que abrangem as pessoas tornando-os desabilitados para agir de maneira legítima às situações estressantes, sendo redigidas, muitas vezes, por ações impulsivas.

Implementar melhorias na atenção básica, segurança e educação, por exemplo, é uma forma de o governo corrigir um erro que é ter deixado as pessoas de mãos atadas por tanto tempo. Como o filósofo norte-americano, Thoreau, disse: não peço imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor, é preciso a mudança de foco da violência para a luta por uma Ordem mais ativa que mostre as caras principalmente para uma melhoria sociopolítica. Que a justiça seja feita.