A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 10/02/2018
“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. A frase, do ativista e pastor estadunidense, exprime a ideia de que a justiça e a injustiça são como uma extensa linha tênue que permeiam as sociedades, onde a falta de isonomia dificulta a idealização de um Estado adequado. Analisando esse conceito atrelado à contemporaneidade, nota-se que a prática da justiça com as próprias mãos no Brasil, é uma problemática que cresce em demasia sendo muitas vezes influenciada pelos meios de comunicação e que afeta a parcela menos favorecida do corpo social.
É sabido que as dificuldades trazidas por essa prática são inúmeras, são listados problemas psicológicos como as marcas que são deixadas depois de ser acometido com palavras e gestos desrespeitosos e físicos que perpassam desde uma violenta agressão até a morte. Sabe-se que também outro problema que culmina para o agravamento desse processo são as chamadas notícias falsas, casos como da dona de casa Fabiane Maria de Jesus que fora linchada em se bairro depois de uma das vizinhas acha-la parecida com uma possível praticante de magia negra, que por sua vez não sabia a veracidade da notícia.
O resultado desse processo é uma sociedade que acredita fazer o correto, uma vez que os meios que deveriam proteger e cuidar do cidadão são falhos e também as redes de comunicação causam uma espécie de histeria coletiva mostrando alguns casos onde a vítima torna-se o agressor e sai impune e jornalistas que ao invés de noticiar deixam transparecer a sua opinião de cidadão insatisfeito, esses obstáculos trazem uma certa complexidade na hora de solucionar essa problemática.
Portanto, a prática da justiça com as próprias mãos é errada uma vez que vai de encontro com a Declaração dos Direitos Humanos que afirma que “Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. Sendo assim, devem ser feitas palestras em empresas de comunicação ministradas por bacharéis em Direitos Humanos e professores de sociologia com o intuito de minimizar a inflamação gerada por notícias. E, por fim, devem ser feitas delegacias especializadas em casos de linchamentos, agressões verbais e físicas relacionadas a essa prática e torturas com o intuito de melhorar o tempo de resposta da polícia em casos com esses.
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