A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 10/02/2018
Antes da constituição do Estado centralizador e monopolizado, a violência era concebida como fundamental, a sociedade era norteada pelo uso de força, de todos contra todos, concebido como estado de guerra pelo filósofo Thomas Hobbes. No entanto, após a centralização do Estado, o passado continua refletindo no presente, visto que a população usa a força como sinônimo de justiça, seja pela inação do Estado ou pela propagação de ódio constante.
Segundo o filósofo alemão, Max Weber, o Estado é a fonte única que pode recorrer ao uso da violência, com legitimidade, para obter justiça. Entretanto, na sociedade atual, a perspectiva de Weber não se confirma, pois, a inação estatal se torna recorrente, tendo como consequência desta problemática, a população fazendo uso da força com as próprias mãos. Não obstante, o aumento da taxa de homicídios e assassinatos fomenta o sentimento de injustiça.
Acrescenta-se a isso, a propagação de ódio constante na sociedade. Atualmente, com as novas tecnologias, disseminar palavras de confronto e notícias falsas tornou-se mais rápido. Mediante a isso, observa-se o crescente número de pessoas sendo espancadas e violentadas em locais públicos, pela população, obtendo uma grande repercussão nas mídias, pode-se tomar como exemplo, o jovem negro acorrentado e espancado até a morte no Rio de Janeiro, pelo fato de roubar pertences de moradores da região.
Consoante ao mencionado, fica evidente que existe obstáculos para erradicar a prática de justiça com as próprias mãos no Brasil, sendo preciso intervenção. Cabe ao Ministério da Justiça propor o aumento de vagas na polícia civil, com o apoio da Receita Federal, destinando uma parcela dos impostos para oferecer uma melhor remuneração dos cargos, a fim de estimular os policiais, com o intuito de melhorar a fiscalização da cidade. Ainda, a mídia deve coibir a propagação do discurso de ódio na internet, bloqueando usuários que disseminam tais informações.