A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 11/02/2018
No limiar do século XXI, a onda de vingança popular, rebeldia, ou insatisfação com a impunidade do Estado, ganha cada vez mais espaço nos noticiários e nas mídias sociais. Lima Barreto, em seu livro “Os Bruzundangas” , ilustrou uma problemática nação que satirizava o Brasil do início do século XX. Esse país fictício apresentava problemas como uma certa ineficiência da justiça e a propensão dos cidadãos a realizarem o que seria papel do Judiciário. Passado quase um século, seria razoável que a obra do autor pré-modernista não fosse tão parecida com o Brasil atual.
Em primeiro plano, é preciso refletir sobre o atual cenário do sistema judiciário brasileiro. No filme Tropa de elite, retratam fielmente o tratamento extremamente agressivo da policia quanto a adolescentes cujo possuem envolvimento com drogas. O capitão Nascimento declara: “mas pro povo, bandido bom é bandido morto “quando vai em um restaurante e é aplaudido pela morte de alguns presos.
Deve-se abordar, ainda, que além de não ser em nada contributivo à ordem social, fazer justiça com as próprias mãos configura-se como uma prática ilegal, uma vez que somente compete às autoridades constituídas aplicar medidas punitivas. Em detrimento dessa questão, sabe-se que nas animações de super-heróis, como Batman, Demolidor, Flash, Super-man, retratam momentos em que os super-heróis se fazem de justiceiros para solucionarem alguns casos, já fora das telas, isso é uma realidade no Brasil, muitas pessoas se sentem empoderadas para fazer justiça com as próprias mãos.
Evidencia-se, portanto, que assumir a função que cabe aos órgãos competentes não é o caminho viável. É indispensável que a população fiscalize e reivindique dos governantes melhorias na área da segurança pública e no sistema judiciário. O ministério da educação, juntamente com as escolas, devem abrir uma discussão com os alunos desde o ensino fundamental ao médio, sobre os filmes que estes alunos assistem e como devem atentar-se de que não se pode fazer o mesmo que vemos na TV.