A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 10/02/2018

Segundo o jornal El País , em 2015 , o Brasil tinha um linchamento por dia.Diante dessa informação , é perceptível notar que a prática da justiça com as próprias mãos , caracterizada por torturas e espancamentos coletivos , é forte no país. Para a Doutora em estudos de segurança , Jacqueline Muniz , o aumento das notícias de violência  e a sensação de impunidade aos criminosos  , potencializam a prática do justiçamento.

Na análise  de Jhon Locke ,  o Estado tem o dever de garantir a liberdade e a segurança de seu povo , no entanto , é justamente a ausência do Estado em  em garantir serviços , como o de segurança , e a morosidade do judiciário em punir efetivamente os criminosos  , que fazem com que a população abra mão das regras morais e legais , para praticar atos que para o professor Leandro Karnal seriam vingança ao invés de justiça , rompendo com o contrato social vigente.

As consequências desse processo para sociedade são perigosas, e uma delas é exemplificada no conceito conhecido como ´´banalidade do mal´´ , cunhado pela filósofa Hannah Arendt , em que as pessoas comuns acabam vendo o mal como algo normal, isto fica explicito na atitude nefasta de filmar o sofrimento alheio de alguém sendo espancado e publicar nas redes sociais.

Além disso , a prática do justiçamento pode criar um ciclo de violência sem fim , pois as pessoas que cometem tais atos podem estar sujeitas às mesmas regras pelas quais julgaram alguém culpado. Ademais , esse cenário favorece o surgimento de grupos extremistas , que cada vez mais disseminam em seus discursos o ódio a próximo.

Portanto,  assumir a função que cabe aos órgãos competentes não é o caminho viável . Para isso , é importante que mídia televisa faça campanhas contra o justiçamento , mostrando suas consequências . Cabe também , ao Estado , melhorar os serviços de segurança pública e fazer com que o judiciário aplique correta e severamente as leis vigentes , amenizando a sensação de impunidade que flagela a população.