A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 11/02/2018
A obra “Hamlet”, do inglês William Shakespeare, retrata o dilema enfrentado pelo personagem principal acerca de vingar ou não o assassinato do pai. De maneira análoga, a prática da justiça com as próprias mãos é um empecilho social presente no Brasil. Nesse viés, é preciso analisar as causas do imbróglio, para mitigá-lo.
Frente ao panorama em questão, segundo o contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a ordem social. Entretanto, a ocorrência frequente de casos de justiça com as próprias mãos retrata o rompimento de tal harmonia. Esse problema acontece, pois, muitas vezes, a atuação estatal é morosa e ineficaz. Dessarte, a população acredita ser necessário vingar-se ilegalmente devido à descrença na atuação dos órgãos de segurança pública.
Outrossim, o sociólogo Bourdieu define “habitus” como o processo de interiorização de aspectos exteriores. Diante dessa concepção, é possível atribuir o caráter de “habitus” à assimilação da prática da justiça com as próprias mãos, visto que muitos cidadãos consideram tal atitude normal e, até mesmo, benéfica. Além disso, com frequência, os infratores saem impunes, o que, por conseguinte, também estimula a permanência do imbróglio em discussão.