A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 11/02/2018
Lima Barreto, escritor pré-modernista em seu livro “Os Bruzundangas”, satiriza o Brasil do início do século XX, onde existia uma ineficiência da justiça e a predisposição dos cidadãos realizarem o que seria papel do Judiciário. Posteriormente, seria logico que a obra não se parecesse com o Brasil atual. No entanto, não é o que acontece quando se observa a prática da justiça com as próprias mãos no contexto atual. Nesse sentido, é necessário entender os porquês dessa pratica na contemporaneidade. De inicio, destaca-se o plano político da problemática. De fato, como ilustrou Max Weber, o Estado, possui monopólio da justiça e da violência, o que garante coesão social. Contudo, ao falhar ou tardar em cumprir sua função punitiva, esse agente pode ser visto por muitos como ineficiente ou conivente, o que estimula atos de barbárie por parte de pessoas que julgam estar fazendo o justo. Por conseguinte, ao não cumprir seu papel o Estado perde o monopólio da força, causando fenômenos como linchamentos, já presente no tempo de Lima Barreto. Da mesma maneira, existe a dimensão cultural da questão. Hobbes definiu que o homem, em seu estado natural, está em constante guerra e violência, cabendo ao governo e à educação salvaguardar a proteção. Apesar de, a formação escolar brasileira não tratar de forma aprofundada a justiça, devido a existência de outros extensos conteúdos a serem lecionados. Por consequência, indivíduos sem uma formação sólida sobre justiça podem vir a cometer injustiças com as próprias mãos quando em momentos de revolta regredindo ao estado de guerra que Hobbes define. Dessa forma, a necessidade de se intervir nesse problema. Para tal, é necessária a mudança na estrutura educacional. Logo, as escolas devem abordar com mais atenção os aspectos da justiça. Mais detalhadamente, aulas de sociologia e história que abordem Max Weber e Thomas Hobbes podem ser usadas para propor discussões mediadas pelo professor, o que incutirá nos alunos o ideal de justiça. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que se diminua a barbárie.