A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 11/02/2018
O ganhador do premio Nobel de Literatura do ano de 1915, Romain Rolland, afirmou ao longo da sua vida o seguinte : “Quando a ordem é injusta, a desordem já é um princípio de justiça”. Isso dialoga, por exemplo, com a realidade brasileira em que os princípio de segurança e justiça, ou seja, ordem, só são fornecidos á algum grupo por determinados valores, isso acaba por gerar revolta, e essa gera os quadros de justiça com as próprias mãos. Diante disso, é evidente que um processo de democratização da justiça e da segurança deve ser realizados, para que se contenha a grande onda de justiceiros e justiceiras que estão aflorando na sociedade.
Antes de tudo, é importante destacar, o terrível panorama de descrença na justiça Brasileira pelos cidadãos na sociedade atual. Tal descrença, está totalmente relacionada com o quadro da segurança nas cidades. A segurança, por exemplo, pode ser considerada ínfima em algumas regiões periféricas como comunidades, assentamentos, morros etc. Tendo o norte brasileiro como amostra, podemos observar o antigo conflito entre grileiros e posseiros, que se arrasta por décadas, gerando muitas mortes, ferimentos e tristeza, tal conflito é fruto da falta de justiça, que tem a obrigação nesse caso de intervir para evitar tais consequências ao corpo social, mas, como a mesma não age, grileiros e posseiros continuam fazendo ‘’justiça’’ com as suas mãos.
Somado a isso, cabe ressaltar o aumento dos justiceiros na sociedade brasileira atual, esses acabam por agravar o quadro de violência e falta de segurança no meio social. Em São Paulo, nos anos 80, surgiu um justiceiro intitulado como Chico ‘’Pé de Pato’’, que após ter sua filha e esposa estrupadas, resolveu agir por conta própria contra os malfeitores da cidade , estima-se que Chico tenha feito muitas vezes o papel dos policiais paulistanos. Por consequência, a sociedade enxergando um personagem icônico como Chico ‘’Pé de Pato’’, acaba por gerar um sentimento de salvação, ou seja, um homem com suas próprias mãos está resolvendo a falta de segurança, essa noção faz que com a sociedade apoie esses justiceiros, assim gerando outro problema, pois é errado combater violência com violência.
Fica nítido, portanto, que as noções de segurança e justiça precisam ser geradas e mostradas para os cidadãos para que os casos de violência com as próprias mãos não surjam. Á vista disso, cabe a sociedade, principalmente os cidadãos de áreas periféricas, exigirem das esferas federais relacionadas a justiça e segurança, um investimento no campo da seguridade do corpo social, isso deve ser feito por meio de ofícios elaborados por cada sociedade, que exponham quais medidas deve ser tomadas pelos governante a fim de evitar novos casos de justiça com as próprias mãos, depois de elaborados devem ser enviados para a autoridade máxima da cidade, para que a mesma tome as devidas providências.