A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 12/02/2018

Nas últimas décadas, o ato de justiça com as próprias mãos tem se tornado uma prática recorrente no Brasil. Esse meio é considerado como única forma de justiça por parcela de brasileiros, de modo que, atualmente, o ideal tem sido transmitido de geração em geração e semeado nas mídias sociais. Sendo assim, faz-se fulcral a implementação de medidas afim de atenuar esse conflito.

A diversidade de pensamentos existente na sociedade é um corroborador dessa situação, em que princípios conservadores e patriarcais presumem que a melhor forma de resolução de conflitos é revidar a situação, conhecida popularmente pela expressão “olho por olho, dente por dente”. Tal fato, é mascarado por uma concepção de justiça, todavia, ele é uma demonstração do lado agressivo do ser humano, assim como uma reverberação da violência, ressaltando o pressuposto do filósofo Thomas Hobbes, de que o homem é mal por natureza.

Concomitante a isso, o uso das mídias sociais no mundo contemporâneo tornou-se um artifício de manifestação de opiniões, em que a exposição da justiça com as próprias mãos como ideal, faz com que muitos sintam-se representados e passem a apoiar tal causa. A exemplo disso, tem-se a alegação do armamento popular, no qual sua disseminação é evidenciada como uma forma de proteção ao cidadão, que com as grandes ondas de violência e insegurança , a cada dia tem se afirmado. Entretanto, o efeito disso proporcionou que pessoas que já foram vítimas de inúmeras formas de violência, e se sentem injustiçadas, vejam isso como uma forma de nunca mais a sofrerem, se protegerem, seus familiares e até sua comunidade.

Diante disso, é necessário a reparação imediata desse cenário. O Estado brasileiro tem a missão de reeducar a sociedade perante as questões de seu direitos e deveres, dessa forma o Ministério da Educação em parceria com os Tribunais de Justiça estaduais e federais, devem implementar o ensino obrigatório do direito em escolas públicas e privadas, com a finalidade de tornar o cidadão entendedor deste e apto a questionar o Estado e a Justiça, quando esta for falha em suas decisões.  Deve-se também realizar um controle mais rígido a cerca do que se é dito pelo cidadão na internet, em que o governo brasileiro possa utilizar suas agências de inteligência em parceria com mídias como Facebook e Twitter, em que possa ser ter regras sobre discursos que vão contra as regras constitucionais e firam a seguridade do outro. Desse modo, será possível se obter uma sociedade mais coesa em que o brasileiro poderá lidar com essa problemática de forma racional e justa, assim como afirmava Aristóteles, que o ser humano quando age com a ética e a racionalidade, assume sua função de animal político.