A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 12/02/2018
Até a justiça do “olho por olho dente por dente” pregada por Amurabi, não se compara à selvageria da “justiça” popular que ultimamente vem circulando nas redes sociais brasileiras. As penas de Amurabi, por mais severas que sejam, estavam registradas em um código. Já a justiça feita com as próprias mãos, por mais compreensível que pareça em certos casos, é desmedida e altamente subjetiva. E é justamente aí que incide o problema.
É evidente que as falhas do Estado no processo de prender e punir criminosos acabam estimulando a justiça popular feita com as próprias mãos. Porém, esse tipo de atitude deve ser combatida, pois do contrário estaremos caminhando no sentido da barbárie completa e corremos o risco de, na ânsia de se fazer justiça a todo custo, cometermos um crime ainda maior. Vale citar o caso da dona de casa do Guarujá/Rio de Janeiro que foi espancada até a morte por populares que a confundiram com uma mulher que estaria realizando rituais macabros com crianças.
Dentro desse contexto, vale ressaltar que, muitas vezes, o sentimento de justiça popular acaba contagiando pessoas que não tem nada a ver com a situação e simplesmente são acometidas pelo comportamento de grupo. Basta observar videos que circulam nas redes sociais em que supostos criminosos são linchados por uma multidão. É fácil perceber que alguns se aproveitam do anonimato e da confusão generalizada para espancar e nem sequer sabe o possível crime que o acusado cometeu .
Dessa forma, é de grande importância que o Poder Executivo Federal crie um telefone para denuncias e lance campanhas educativas, divulgadas nas emissoras de TV e nas principais redes sociais, para facilitar a denuncia de casos e desestimular o comportamento agressivo das massas. Pois como diz Immanuel Kant, " O homem é aquilo que a educação faz dele".