A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 04/10/2024

É constante a divulgação de casos de discriminação policial contra negros nos jornais regionais e nacionais no Brasil, resultando em violência física contra inocentes ou reações desproporcionais ao crime cometido pelo acusado. Se até os próprios servidores públicos de segurança falham nas abordagens, quem não é treinado para isso está ainda mais suscetível a tais erros. Dessa forma, fazer justiça com as próprias mãos pode agravar violência por racismo e negligenciar crimes brutais.

Primeiramente, se até o policiamento no Brasil, que é devidamente treinado, trata raciamente desigual seus investigados, os justiceiros, influenciados por ódio e revolta, podem agravar ainda mais os casos de racismo. Tal situação é percebida ao analisar que o índice de pessoas pretas discriminadas, agredidas e mortas pela polícia no país é discrepantemente maior que os dasos de outras etnias, consequência da intolerância étnica e do pré-julgamento da comunidade. Portanto, a normalização da justiça feita pelas próprias mãos, que é vinculada a ações impulsivas de raiva, pode agravar esses casos violentos sem averiguação adequada sobre a inocência da pessoa.

Ademais, o crime decorrente em prol da justiça pode ser mais grave que o cometido pelo acusado do justiceiro. Tal fato pode ser observado nas cenas da série “Arrow” em que um criminoso comete um furto simples sem violência e o personagem principal, um anti-herói da rede cinematrográfica DC, recorre a crimes brutais, como agressão e homicídio doloso. Redirecionando para a realidade do Brasil, a banalização do vigilantismo abre portas para ações violentas, como punição de um crime expressivamente menos hediondo.

Portanto, a justiça feita pelas próprias mãos pode agravar violências raciais e urbana. Por isso, é preciso que justiceiros sejam acusados por seus delitos e paguem uma indenização à vítima, como custos hospitalares, reduzindo maiores danos ao prejudicado. Também é importante que os órgãos de segurança, como a Polícia Civil, a fim de evitar a banalização desses crimes, incentivem a denúncia contra vigilantes através de campanhas nas redes sociais. Somente assim esse movimento criminoso tenderá a ser desencorajado.