A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 28/03/2018

Em junho de 2017, repercutiu no Brasil o caso de um jovem que tentou furtar a bicicleta de um tatuador e teve sua testa tatuada com a frase “eu sou ladrão e vacilão”. Esse caso é apenas uma amostra do impasse que é a prática justiça com as próprias mãos no Brasil. Por conseguinte ao aumento da criminalidade, somado à sensação de impunidade que impera no Brasil, esse caso, infelizmente, não é isolado.

Não é singularidade e nem motivo de espanto à inúmeras pessoas da sociedade brasileira que a criminalidade aumenta ano após ano. Esse aumento equivale a uma taxa unitária de 0,106 em um período de dez anos ,segundo dados divulgados pela IPEA. Atrelados a esses dados, aflora ao povo brasileiro o senso de justiça, causado pela impunidade que o país sofre, de 4% a 5% dos crimes são solucionados, segundo o pesquisador de violência Julio Jacobo.

A impunidade que se alastra na sociedade brasileira, além de fortalecer um senso de justiça totalmente extremista e, por vezes, equivocada é o principal fator para que haja a prática da justiça com as próprias mãos, tendo em vista a falta de credibilidade que os brasileiros têm em relação ao Poder Executivo, ao Poder Judiciário e ao Poder Legislativo. Muitos se aproveitam dessa impunidade para praticar atos de justiça, como se fossem os justiceiros da nação, acarretando-se assim em uma imensa bola de neve, ou seja, um crime justificando outro crime.

De acordo com o supracitado e tomando como norte a máxima de Voltaire, “É melhor correr o risco de salvar um homem culpado, do que condenar um inocente.”, é inegável apoiar os atos da justiça com as próprias mãos, visto que o Poder Judiciário, e somente tal, possui um respaldo necessário para absolver ou condenar um indivíduo de um possível crime. Nessa linha de raciocínio, é fundamental, portanto, que no Brasil haja a parceria da tríade Estado, escola e mídia, a fim de solucionar a prática desses “justiceiros”.

O Estado deve promover, em parceria com instituições Público-Privadas e através de subsídios, políticas públicas e palestras para conscientizar aos brasileiros que a justiça com as próprias mãos é um ato de total promiscuidade, e que, não os cabe julgar ao próximo. À escola, como órgão fundador do caráter do indivíduo, cabe-se então que, desenvolva atividades de interação social, a fim de identificar o senso de justiça mais aflorado entre o corpo discente, atentando para esses comportamentos e os amenizando. A mídia, que é o principal veículo de informatização, possui o dever cobrar os 3 Poderes, quando necessário, a agilidade e transparência na resolução dos crimes aos cidadãos. Executando isso ,efetivamente, concluir-se-á o impasse da prática da justiça com as próprias mãos no Brasil.